Publicado em 28/12/2016 as 1:00pm

Natal em Nova York: Brasileira convive com saudade e o sonho de morar fora

Débora Sousa está há quatro meses longe da família, que mora em Palmas. Ela relata o clima natalino, a saudade de casa e as belezas da cidade.

A mais de seis mil quilômetros longe de casa, a tocantinense Débora Sousa, 24 anos, precisa conviver com a saudade e o sonho de morar fora. Ela está há quatro meses na cidade mais populosa dos Estados Unidos: Nova York. A jovem foi para o exterior para trabalhar e estudar e aproveita para desfrutar de cada canto da cidade. Neste ano, quando ela passará o primeiro Natal longe da família, relata o clima, a saudade de casa e as belezas do local.

Longe das altas temperaturas do Tocantins, que podem chegar a 40º, a estudante agora acorda olhando para a neve. Mas, ao que parece, ela ainda não se acostumou muito com o clima de inverno. 

“Com o natal chegando e o clima ‘deprimente’ do inverno, já sinto o que chamamos de homesick chegando. Homesick é o termo em inglês pra saudades de casa’, conta ela.

Esta é a primeira vez que Débora vai passar o Natal longe da mãe e do irmão, que vivem na capital. Desta vez, a festa será com uma família norte-americana com quem ela mora. Uma amiga brasileira também vai se juntar a eles.

Na cidade, que é sonho de consumo de muitos brasileiros, o Natal é levado muito a sério, segundo Débora. "As casas são extremamente decoradas, as árvores de Natal são pinheiros de verdade que eles colocam dentro de casa. Eu já vi até Papai Noel inflável gigante no quintal de uma casa", relata.

O clima também toma conta das crianças, que segundo ela, são incentivadas a se comportarem melhor e ficarem mais gentis. Como no Brasil, no dia 24 as pessoas se reúnem para preparar um jantar.

"O cardápio é bem vasto também, como no dia de ação de graças. E no dia 25, todos acordam bem cedo, com seus pijamas específicos de Natal, inclusive comprei um, para ver o que o Papai Noel trouxe para todos. Espero que ele me traga algo porque intercâmbio não é fácil mas eu tenho sido uma boa menina", diz em tom de brincadeira.

Cidade dos sonhos
Tristezas à parte, a palmense conta que está vivenciando grandes experiências no outro país. Ela está lá fazendo um intercâmbio de estudo e trabalho. Para isso, trabalha como babá na casa de uma família.

Quando chegou em Nova York, conta que se surpreendeu com a organização dos norte-americanos e a arquitetura, que “é incrivelmente bonita”, mas também ficou impressionada com a desigualdade e a segregação, que é visível aos olhos. “Latinos andam com latinos, negros andam com negros e brancos andam com brancos. Mas não presenciei nenhuma cena preconceituosa”, afirma.

Para se adaptar também não foi nada fácil. Primeiro, ela teve que conviver com pessoas que ela não conhecia e com costumes diferentes. Depois, precisou se acostumar com a alimentação.

“Ou é tudo muito saudável ou é tudo muito fast food. Na casa que eu moro mesmo, tudo é orgânico, a prioridade é frutas e verduras sempre. Carne vermelha quase não se vê, e se vê, é super mal passada”, comenta lembrando da culinária brasileira.

A saudade da família é constante, mas a jovem diz que tenta não falar com os parentes todos os dias. “Foi uma escolha que eu mesma fiz para não sofrer tanto. Chamada de vídeo mesmo, eu faço de vez em quando porque sempre sinto muita vontade de chorar quando os vejo”.

Apesar da distância da terra natal, o que ela quer mesmo é aproveitar a oportunidade de estar na cidade dos sonhos.

"Nova York é tão linda quanto nos filmes. Você se sente importante só de estar aqui. A arquitetura, os parques, essa mistura de natureza com concreto faz a gente querer voar ainda mais alto. A atmosfera que envolve a cidade é como um conto de fadas para mim. É realmente como a música diz 'selva de concreto onde os sonhos são feitos'", finaliza. 

Fonte: G1