Publicado em 30/12/2016 as 5:02pm

DIVULGADO ESTA SEMANA: Relatório mostra que agente da imigração trocou Green Card por "enroladinhos de ovo"

Em outros casos, oficiais federais receberam subornos em dinheiro e sumiram com casos relacionados a tráfico de pessoas

Agentes federais dos EUA aceitaram subornos de até US $ 215.000 e até mesmo enroladinhos de ovos para contrabandear maconha e cocaína, fornecer informações importantes aos cartéis de drogas para que eles pudessem se livrar da segurança nas fronteiras, falsificar documentos para imigrantes entrarem ilegalmente no país e fazer alguns casos "desaparecerem". Estas informações foram divulgadas através de um relatório publicado no The New York Times.

Em um caso, Johnny Acosta, um oficial da Customs and Border Protection em Douglas (Arizona), disse que ele foi contatado por um grupo de traficantes mexicanos em setembro de 2013 e concordou em permitir que eles dirigissem furgões cheios de maconha através da fronteira.

Acosta disse que os contrabandistas de Agua Prieta, no México, descreveriam que os veículos carregavam potes e Acosta o oficial permitia que eles atravessem a fronteira sem inspeção, de acordo com o New York Times. Os documentos judiciais disseram que o agente ganhou mais de US $ 70 mil em subornos para ajudar os traficantes a passarem mais de uma tonelada de maconha.

Mai Nhu Nguyen, funcionária do Serviço de Imigração em Santa Ana (Califórnia), aprovou e negou pedidos de cidadania para imigrantes até que ela começou a receber subornos em dinheiro e comida. Em novembro de 2011, de acordo com os documentos do tribunal, ela aprovou um pedido de cidadania em troca de 100 enroladinhos de ovos.

Depois, há o caso de Joohoon David Lee, um agente da Polícia Federal que trabalha para o Immigration and Custom Enforcement (ICE) em Los Angeles. Ele entrevistou uma mulher que disse ter se mudado para aos EUA para se tornar uma escrava sexual de um empresário coreano identificado como HS, segundo os documentos judiciais citados pelo New York Times.

Um ano depois, o policial contatou o advogado do empresário e disse que se ele recebesse uma viagem com todas as despesas pagas para a Coréia, iria entrevistar o HS e escreveria um relatório favorável a ele para limpar o nome do acusado.

Em 2013, Lee viajou para Seul onde HS pagou as suas despesas de hotel e entretenimento. O policial também pediu uma "grande soma de dinheiro" para fazer "qualquer questão de imigração sumir".

HS concordou e quando Lee retornou à Califórnia, ele arquivou um relatório limpando o nome do empresário. "O sujeito era suspeito de tráfico de seres humanos. Nenhuma evidência foi encontrada e a declaração da vítima é contraditória. Caso encerrado. Nenhuma outra ação será necessária", escreveu Lee. Ao todo, Lee recebeu cerca de US $ 13 mil em subornos, informou o NY Times.

O jornal, após analisar os registros judiciais e documentos internos da Homeland Security dos últimos 10 anos, mostrou que cerca de 200 funcionários do DHS conseguiram embolsar quase US $ 15 milhões em subornos.

Fonte: Brazilian Times