Publicado em 17/01/2017 as 10:00am

Brasileiro morre nos Estados Unidos, e família tenta trazer corpo para SC

Família desconhece causas da morte; consulado só informa pessoalmente. Traslado custa R$ 20 mil; parentes dizem não ter dinheiro para o serviço.

Uma família que mora em Joinville, no Norte de Santa Catarina, tenta trazer para o Brasil o corpo de Guilherme de Menezes Garcia, de 26 anos, que morreu nos Estados Unidos. O brasileiro morava em Fort Lauderdale, na Flórida, e foi encontrado morto na quinta-feira (12), por volta das 11h (14h, horário de Brasília) pelo sócio, com quem dividia a casa.

Até o início da tarde desta segunda-feira (16), a família desconhecia as causas da morte. O Itamaraty informou que o caso está sendo acompanhado, mas que não está previsto auxílio financeiro para o traslado. A família afirma não ter condições de pagar pelo serviço.

“Ele não estava doente. Entramos em contato com o consulado brasileiro, que disse só poder informar familiares pessoalmente. Tudo que sabemos sobre a morte foi passado por amigos que moram lá”, contou a irmã, Fernanda.

A morte ocorreu exatamente um ano após os dois filhos de Guilherme, que foram retirados do convívio dele pela Justiça americana, terem sido adotados oficialmente por outra família nos Estados Unidos. 

O rapaz foi para os Estados Unidos aos 15 anos, na companhia da mãe. Natural de Porto Alegre, morou com a família em Chapecó, no Oeste catarinense, e em Florianópolis.

Atualmente, tinha uma empresa do ramo da construção civil com um amigo. 

Traslado
Conforme Fernanda, o traslado do corpo custa R$ 20 mil. Como os familiares não têm condições de arcar com este valor, foi criada uma campanha na internet para angariar fundos (veja mais informações no vídeo acima).

Desde a semana passada, o corpo permanece no Instituto Médico Legal americano, segundo a família.

Perda dos filhos
Conforme Fernanda, Guilherme morreu exatamente um ano após a adoção definitiva dos dois filhos dele. 

“Meu irmão teve um filho de 3 e outro de 5 anos, que foram tirados dele, porque a mãe, usuária de drogas, maltratava as crianças. Por um ano, elas ficaram provisoriamente com uma família, e em 12 de janeiro de 2016, foram adotadas definitivamente”, contou.

A mãe de Guilherme disse à RBS TV que suspeita que a morte tenha relação com a perda das crianças, já que nos últimos anos ele chegou a se envolver com drogas. “Eu sei que foi muita coincidência, justamente no mesmo dia", disse Carla Menezes.

Segundo Fernanda, por se tratarem de crianças americanas, a família de Guilherme não pode reivindicar a guarda. “Além disso, a mãe não queria que viessem para o Brasil, então não tivemos como lutar pelos meninos. Agora, não podemos acessar nenhuma informação sobre eles, porque tudo é mantido pela Justiça sob sigilo”, lamentou.

A mãe de Guilherme disse que não via o filho há oito anos. “Eu estou proibida de entrar lá [nos Estados Unidos], porque eu passei três meses do visto. Minhas filhas não o veem há 10 anos. Então, a gente queria muito dar um último adeus. É isso que a gente está pedindo, que as pessoas se comovam para que eu possa ver meu filho pela última vez”, disse a mãe, Carla.

Itamaraty
Em nota enviada ao G1, o Ministério das Relações Exteriores - Itamaraty - informou que o consulado do Brasil em Miami está acompanhando o caso e mantém contato com a família de Guilherme para auxiliar na burocracia da liberação do corpo.

"A Divisão de Assistência Consular do Ministério das Relações Exteriores também está tomando as providências cabíveis. Nos termos da legislação em vigor, e em respeito à privacidade do cidadão, o Governo não pode comentar informações pessoais de brasileiros que recebam assistência consular no exterior", informou a nota.

Fonte: http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia