Publicado em 18/01/2017 as 2:00pm

Brasileira de Massachusetts se une a imigrantes e mulheres negras em protesto contra Trump

O grupo vai para Washington DC, onde se unirão a milhares de pessoas e combaterão as políticas anunciadas pelo novo presidente contra os imigrantes

Por dois anos e 27 dias, Valéria do Vale era como todo mundo em seu dormitório na faculdade. Ela tinha carteira de habilitação, Social Security e o mais importante, a promessa de que os Estados Unidos não a deportaria para o Brasil.

Essa sensação de segurança implodiu no dia da eleição presidência, quando o republicano Donald Trump foi eleito o novo presidente do país. Ele jurou que colocaria um fim ao programa federal assinado por Barack Obama que protegia milhares jovens imigrantes da deportação.

Assim, esta semana, ela embarcará em um ônibus de mulheres, em sua maioria negras, que irão à capital da nação para garantir que suas questões não serão esquecidas na Marcha de Mulheres que acontecerá no sábado, em Washington. O assunto está entre os que mais são ameaçados pelo novo governo, que assume nesta sexta-feira (20).

A marcha falará em nome dos imigrantes em risco de deportação, pessoas que temem o perfil racial e mulheres que lutam contra o racismo e o sexismo. "Quando fiquei sabendo que Trump foi eleito, minha mente voltou para quando eu tinha sete anos e acabado de chegar aos Estados Unidos. Eu sabia que eu era indocumentada", disse Valéria, uma estudante universitária de 19 anos, durante uma reunião em Boston, onde os manifestantes se reuniram na segunda-feira para pintar faixas para a marcha. "Quando revivi todas as coisas horríveis que vivemos neste país, pensei, vou passar por tudo isso de novo", se emociona.

Na sexta-feira, ela será uma das 55 passageiras em um ônibus indo para o National Mall. Além da marcha maciça em Washington, mais de 300 manifestações semelhantes foram planejadas em Boston e outras cidades em todos os 50 estados, e algumas no exterior.

Talia Barrales, uma advogada de imigração de Boston, que já foi indocumentada, disse que espera que a marcha em Washington inspire as famílias imigrantes a continuar lutando pela legalização. Ela lembrou protestos semelhantes que aconteceram na Califórnia contra a Proposição 187, uma iniciativa estatal que buscava bloquear acesso de imigrantes ás escolas, saúde e outros serviços públicos.

Agora, a Califórnia tem uma série de leis progressistas que protegem imigrantes indocumentados, e Barrales é uma cidadã dos EUA que ajudou a pagar o ônibus para D.C. "Espero que nossa atitude dê algum tipo de esperança para a minha comunidade", disse ela.

Outros pediram aos legisladores estaduais e federais que defendessem melhor os imigrantes em Massachusetts, um dos seis estados onde a população indocumentada aumentou nos últimos anos. O estado abriga 210.000 imigrantes indocumentados, entre 11 milhão por toda a nação, de acordo com o Pew Research Center.

Douglas Chávez, consultor político que já trabalhou no governo do ex-governador Deval Patrick, acredita que a marcha das mulheres vai incomodar Trump, e mostrar-lhe que os imigrantes e outros estão dispostos a lutar contra as suas políticas.

Na segunda-feira, feriado federal em homenagem a Martin Luther King Jr., voluntários se reuniram na sede do Student Immigrant Movement’s (SIM) perto de Boston Common, se prepararam para a “batalha” e pintaram sinais com slogans como "Sem Mulheres não há Revolução", em espanhol.

Valéria, imigrante do Brasil que cruzou a fronteira quando tinha 7 anos, disse que não vai parar de lutar até que sua mãe e sua irmã mais nova estejam a salvo da deportação. Ela disse que sua mãe trouxe as duas para a América para fugir de um marido abusivo.

As lágrimas brotaram nos olhos de Vale quando disse que sua irmã mais nova esperava aplicar para DACA este ano.

Fonte: Brazilian Times