Publicado em 27/01/2017 as 3:00pm

Prefeitos de cidades santuários não aceitam ações de Trump

Prefeitos de cidades santuários não aceitam ações de Trump

O objetivo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de deportar milhões de imigrantes indocumentados vai ser complicado se ele não tiver a ajuda das cidades onde a comunidade imigrante é grande.

Até agora, ele se defrontou com a firme resistência de dezenas de prefeitos, que insistem que continuarão protegendo seus residentes indocumentados, ganhando a designação informal de "cidades santuárias". Em resposta, Trump liberou uma ação executiva para tentar acabar com as cidades que não prendem imigrantes sem documentos.

"As agências federais estão recebendo apoio para reforçar a aplicação da lei", disse Sean Spicer, Secretário de imprensa da Casa Branca. "Nós vamos tirar recursos federais que são destinados aos estados e cidades santuários que abrigam imigrantes indocuentados. O povo americano não vai mais ter que ser forçado a subsidiar esse desrespeito", continuou.

O líder de uma cidade que oferece algumas dessas proteções, o prefeito democrata de Boston, Marty Walsh, diz que a abordagem de Trump não faz muito sentido. "Eu nem sei o que ele quer dizer quando diz que vai cortar o financiamento federal", disse. "O Congresso ordena que o presidente gaste dinheiro - eu não acho que ele tem a capacidade de cortar dinheiro lá, então eu não tenho certeza exatamente o que isso significa", seguiu.

Há cerca de 11 milhões de imigrantes indocumentados nos Estados Unidos, número que se estabilizou nos últimos anos. A maioria vive em estados com densos centros populacionais: Massachusetts, New York, new Jersey, Califórnia, Texas, Flórida e Illinois.

Spicer explicou pouco sobre como os cortes serão feitos. Quando pressionado por repórteres, ele disse que o secretário de Segurança Interna, John Kelly "olharia para os fluxos de financiamento que estão indo para essas cidades e analisar como estes fundos poderão ser barrados".

Sob a ordem executiva, a administração Trump também pretende lançar uma lista semanal dos crimes cometidos por imigrantes indocumentados.

Seja qual for a resposta, Walsh diz que ainda não tem intenção de ajudar nas deportações em massa que Trump está propondo e que tornar as cidades mais pobres prejudicará todo o país. "Estou mantendo minha política como está", disse ele. "Se o presidente cortar fundos, será em Boston, New York, Chicago, Minneapolis e Miami, e outras cidades no país que também agem assim, Eu não sei como eles farão isso - as cidades são motores econômicos para o país. Muitas receitas tributárias são ganhas aqui, na cidade de Boston, para o governo federal, então eu não vejo como você penalizará alguém que vai ajudar o governo federal".

Walsh argumenta que a ordem executiva vai contra um argumento que Trump e o Partido Republicano fizeram há muito tempo: que os direitos estatais devem ser protegidos sempre que possível. "Eles estão contradizendo sua própria política dizendo que vão cortar recursos se não fizermos o que o governo quer", continuou o prefeito. "O que é isso? Eles vão permitir que estados e cidades tenham mais independência, ou eles vão ser o 'Big Brother', nos dizendo o que fazer?", finalizou.

Fonte: Brazilian Times