Publicado em 6/02/2017 as 10:00am

Ilegal nos EUA desde 2005, brasileira teme até atender campainha em casa

Ilegal nos EUA desde 2005, brasileira teme até atender campainha em casa

Laura (nome fictício), 37, viajou com visto de turista para os EUA em janeiro de 2005 e nunca mais voltou para Governador Valadares, sua cidade natal. Trabalha com limpeza em NY, é casada com outro imigrante ilegal e tem uma filha de 6 anos.

Desde que Trump apertou as regras para imigração, está apavorada com a possibilidade de ser deportada. Não atende a campainha de casa e evita ir a bares e restaurantes.

"Vim para os EUA porque queria trabalhar e juntar dinheiro para fazer faculdade depois no Brasil. Trabalhava como secretária numa indústria de Governador Valadares (MG), minha vida até que não era ruim, mas eu precisava de dinheiro para poder estudar. Nunca mais voltei. Acabei me casando, tendo uma filha", disse.

Ela fala que em 12 anos, já morou em quatro estados e agora está em New Jersey. "Minha filha tem escola boa. Tenho casa com três quartos, lavanderia, closet. Se quero comprar uma TV nova, trabalho duro uma semana, vou até o Walmart e compro. Sempre mando presentes para a minha família. Normalmente, trabalho só três vezes por semana fazendo limpeza em New York. Meu marido trabalha em construção civil. Conseguimos ganhar muito mais do que teríamos no Brasil. Juntos, recebemos uns US$ 2 mil (R$ 6.200) por semana", continua.

Desde que o Trump ganhou as eleições, ela e sua família estão preocupados. "Mas achei que muito do que ele fazia era "show off" [só para se mostrar]. Aí veio esse decreto [anti­-imigração]. Fiquei apavorada. Percebi que ele é louco mesmo. Não consegui dormir direito nas duas primeiras noites depois que soube das mudanças", afirma.

Laura acrescenta que chegam mensagens no seu celular dizendo que agentes da imigração estão atrás dos ilegais. Uma amiga de Boston (Massachusetts) lhe avisou que estão perseguindo brasileiros neste estado. "Fico pensando se vão aparecer no meu trabalho", fala temerosa. "Acho que vou dormir e acordar com alguém me prendendo. Tenho muita preocupação com a minha filha. Ela só tem 6 anos e é cidadã americana. Ela não entende nada do que está acontecendo. Se prendem meu marido e eu, o que vai ser dela?", indaga.

A brasileira está providenciando com advogado um documento que determina com quem ela deve ficar se os pais forem presos e deportados. "Queria deixá­-la com uma prima, mas ela também é ilegal. Então preciso de alguém que tenha a cidadania americana, que possa viajar para o Brasil e levá­-la", fala.

Onde Laura mora tem muitos policiais que não gostam de imigrantes. Agora ela atende a campainha se a pessoa liga antes, avisando que está na porta. Ela evita dirigir para não parar numa batida policial de rotina. "Quando a gente dá a carteira de motorista podem checar meu status de imigrante. Ando a pé, trabalho de trem e, se saio à noite, pego Uber", explica.

Ela deixou de ir a restaurantes, bares que reúnem imigrantes. Estabelecimento brasileiro, muito menos. Ela ia viajar à Flórida a passeio e desistiu. Os advogados dizem que o lugar mais fácil de pegar um imigrante é em um avião, porque é preciso mostrar os documentos. "Tenho que guardar dinheiro caso seja presa, para pagar advogado, comprar passagens de volta. Nunca me senti assim nos EUA, mas não quero voltar ao Brasil. Meu maior medo é ter que voltar para lá. Construí tudo que tenho nos EUA. Minha vida é aqui" finaliza.

Fonte: Brazilian Times