Publicado em 8/02/2017 as 10:00am

'Amanheci o dia chorando', diz mãe de desaparecido ao tentar entrar nos EUA

Nesta segunda (6) completa três meses que brasileiro está desaparecido. Aposentada Maria Carita diz que a esperança é encontrá-lo vivo.

"Amanheci o dia chorando". As palavras são da aposentada Maria Cárita dos Reis, de 59 anos, mãe de um dos brasileiros que desapareceu ao tentar atravessar os Estados Unidos. Em entrevista ao G1, ela se emocionou ao lembrar que nesta segunda-feira (6) completa três meses do sumiço do filho.

O tocantinense Lucirlei Carita dos Reis, 35 anos, entrou em contato pela última vez no dia 5 de novembro. Depois disso, não deu mais notícias. Ele estava nas Bahamas com um grupo de brasileiros e se preparava para entrar ilegalmente nos EUA.

No dia 25 de novembro, parentes dele foram até a sede da Polícia Federal em Araguaína registrar boletim de ocorrência. O caso foi registrado na difusão amarela, lista de pessoas desaparecidas enviada para 27 países, pelo delegado Allan Reis.

Maria disse que nestes três meses não recebeu qualquer informação sobre o paradeiro do filho. "O que me dói é esta falta de notícia", disse. Durante a entrevista, ela não conseguiu conter o choro ao lembrar que Lucirlei sempre ligava, mas que agora toda a família vive um período de silêncio.

A aposentada relembrou que o filho só saiu uma vez de perto dela, quando foi estudar em outro estado, mas que sempre encontrava maneiras de ir visitá-la e ligava toda semana. Esta é a primeira vez que ela fica tanto tempo sem ouvir a voz de Lucirlei.

Ela disse também não tem ideia do que pode ter acontecido, mas acredita que o filho esteja preso, "em um lugar muito difícil de ser encontrado", disse. A esperança da mãe é de algum dia receber uma ligação com boas notícias. "Minha esperança é que ele ligue, diga que está vivo e informe onde ele está, porque daríamos um jeito de trazê-lo de volta".

Por meio de nota, o Itamaraty informou que não há novas informações sobre o paradeiro dos brasileiros desaparecidos nas Bahamas desde o dia 6 de novembro de 2016. E disse ainda que "a embaixada do Brasil em Nassau e o Consulado-Geral em Miami seguem empenhados em localizar os brasileiros, por meio de estreita cooperação com as autoridades bahamenses e norte-americanas."

O caso também vem sendo acompanhado pela Polícia Federal, que em 13 de janeiro lançou a Operação Piratas do Caribe, com mandados de prisão para os coiotes que podem estar envolvidos no caso.

No dia 21 de outubro, Lucirlei Carita pegou um avião em Palmas com destino a São Paulo. De lá, seguiu para Bahamas e chegou no dia 26 onde permaneceu numa casa com a atual esposa e outros brasileiros aguardando a travessia para os Estados Unidos.

As Bahamas passaram a ser consideradas um local de partida por brasileiros para a imigração ilegal em virtude da dispensa de visto para entrar no país e das dificuldades de chegar aos EUA pelo México.

Das Bahamas, Lucirlei sempre mandava fotos perto de navios e da casa, onde ele estava. No dia 5 de novembro, ele entrou em contato com parentes e disse que tinha chegado o dia de viajar. Ele falou que ficaria até três dias sem dar notícias já que este era o tempo de fazer a travessia. Mas, o tempo passou e o tocantinense não deu mais notícias.

No final do ano passado, amigos divulgaram áudios que detalham o esquema para a entrada ilegal. Em uma as conversas, Lucirlei disse que pagaria R$ 50 mil para entrar nos EUA.

Fonte: Brazilian Times