Publicado em 1/04/2017 as 8:00am

Carioca relata preconceito vivido por filha por descendente de brasileiros em NJ

Imigrante indiano teria dito que não queria brasileiros na casa dele e que não quer que a filha tenha amizade "com esse tipo de gente".

A manicure carioca Laiane Oliveira, 38 anos é reside na cidade de Newark (New Jersey) há 12 anos, juntamente com os seus dois filhos, Jonny de 9 anos e Any, de 7 anos. Separada do pai das crianças há seis anos, ela cuida e educa seus filhos sozinha. “Sou pai e mãe deles. Meu ex-marido voltou para o Brasil há cinco anos e nunca mais soubemos dele”, relata.

Laiane conta que sempre se “sentiu em casa” em New Jersey e sempre foi muito bem acolhida pela comunidade local e que seus filhos, que são nascidos aqui, sempre se entrosaram bem com todos e nunca tiveram problemas para se sociabilizar, seja com adultos ou crianças. “Criei eles praticamente o tempo todo sozinha, pois quando eu e o pai deles nos separamos eles ainda eram muito pequenos. Sempre fiz questão que tivessem uma educação exemplar, que respeitassem o próximo e que pudessem se comunicar bem em português e em inglês”, conta.

Tudo acontecia conforme o planejado na vida de Laiane e das crianças, até que na segunda-feira (27), ela percebeu um comportamento estranho na filha Any. “Deixei ela ir brincar por duas horas na casa de uma nova coleguinha de origem indiana aqui perto de casa e percebi que ela voltou triste e muito quieta. Conversamos e ela me contou que o pai dessa coleguinha fez várias perguntas para ela do tipo. De onde seus pais são? No que eles trabalham? Ela respondeu que os pais são brasileiros e que são separados, que o pai esta no Brasil e que eu trabalho fazendo unhas para sustentá-los. Enquanto a coleguinha foi ao banheiro ela desceu as escadas junto com ela e acabou ouvindo uma conversa do pai com a mãe da coleguinha. Eles conversavam na língua deles, mas ao perguntar para a menina o que o pai dela gritava bravo, inocentemente a coleguinha traduziu que ele estava dizendo que não queria brasileiros na casa deles, que não era bom que a filha deles tivessem amizade ‘com esse tipo de gente”, relata a mãe decepcionada com o comportamento preconceituoso do indiano. “Isso feriu muito a minha filha... Ela nunca havia passado por uma situação de preconceito na vida e gosta muito dessa coleguinha, ela queria entender o que era “esse tipo de gente” e o que tinha demais em ser de origem brasileira... Fiquei transtornada ao saber o quanto isso mexeu com o psicológico dela. Tivemos uma longa conversa e expliquei que assim como nós, eles também são imigrantes e que preconceito é algo muito ruim. Não tenha absolutamente nada contra indianos, quando cheguei aqui limpei muito a casa deles e fui bem tratada. Creio que esse cara seja um caso a parte de quem não teve acesso a educação e amor ao próximo. Muito triste tudo isso”.

A carioca aproveita para fazer uma alerta. “Não deixem seus filhos passarem por situações de preconceito como essa sem conversar com eles e explicar o quanto isso é ruim... Sem dizer que não devemos ter preconceito com o próximo, seja ele de que origem for. Certamente minha filha se lembrará por um bom tempo dessa conversa preconceituosa, mas não levará esse sentimento de tristeza a diante, a nossa parte é orar e pedir a Deus que dê sabedoria para pessoas que não sabem que somos todos iguais perante Ele”.

Fonte: Brazilian Times