Publicado em 11/04/2017 as 11:00pm

Despejados nos EUA, pro players brasileiros pedem ajuda na internet

Proprietário da gaming house localizada em Houston (Texas) expulsou o time repentinamente

Os brasileiros Leandro "Lebot" Gouveia, 22 anos, Caio "CaioMeister" Borges, 20, Lucas "Lukinas" Colasso, 19 e Diogo "Krevz" Moritz, 19, foram despejados de sua gaming house, casa na qual treinavam e moravam em Houston, nos EUA.

A expulsão ocorreu por volta do dia 6 de abril. Desesperados, os pro players fizeram um vídeo em inglês pedindo ajuda para organizações internacionais do eSport.  O intuito do time é justamente continuar no exterior para jogar, seguindo o modelo de equipes brasileiras de sucesso no "Counter-Strike: Global Offensive" como SK Gaming, Immortals, entre outras.

"Estávamos vivendo nos EUA há dois meses, mas viemos para ficar pelo menos por seis meses, temos visto até junho", diz Leandro ao UOL Jogos. "O pessoal da organização fica no Brasil e falou que ficaríamos até mais tempo aqui, mas desde a segunda semana vivendo nos EUA, o dono da casa em que vivíamos ficava ameaçando a gente que teríamos que voltar."

A Merciless Gaming foi criada pelos donos Alessandro "Apoka" Marcucci e Alan Battiato. Apoka é ex-técnico de "CS:GO" das equipes WinOut e Luminosity Gaming (antiga SK Gaming) e conheceu o proprietário da gaming house, Mason Dickens, justamente por ele já ter abrigado estes dois times em sua residência.

"O cara que alugava a casa pra gente [Mason] achou que conseguiria viver só do aluguel que estávamos pagando", diz Alan. "Depois do segundo mês ele começou a pedir coisas que não estavam no contrato e decidimos procurar uma nova casa."

Todas as despesas dos brasileiros como comida, transporte e habitação, eram custeados pela Merciless Gaming, além do valor pago a Mason pela habitação.

"Quando estávamos em negociação com uma organização ele acessou o PC de um dos players sem permissão e pegou algumas conversas dele com o manager dessa organização. Ao perceber o que estava acontecendo, ele simplesmente pirou e tirou os meninos da casa", explica Battiato.

"O dono da casa disse que poderíamos ficar até maio, isso foi um dia antes de nos expulsar", recorda Leandro. "A gente saiu para ir no mercado e quando voltamos, vimos que ele havia mexido no computador de dois dos meninos no time. Ele se trancou no quarto e só mandou uma mensagem no celular falando que nós teríamos que sair da casa naquele mesmo dia."

Os jogadores reuniram suas coisas e arrumaram as malas. "Ficamos a madrugada toda fazendo isso, até que o proprietário acordou às cinco da manhã e ficou irritado que ainda estávamos fora da casa. Ele disse que ia chamar a polícia, foi quando pegamos um Uber com todas as nossas coisas."

"Esperamos até tarde com tudo na rua, esperando o hotel abrir. Trouxemos roupa para seis meses, PCs, videogames. Nós temos dinheiro para voltar para o Brasil, mas não queremos isso, estamos fazendo de tudo para continuar jogando", comenta o pro player.

De acordo com os jogadores e os administradores do time, Mason excluiu todas as suas redes sociais e não responde qualquer mensagem enviada.

A Merciless fez acordo assinado com o proprietário do imóvel. Segundo Apoka, um novo contrato com Mason foi assinado ainda em fevereiro por conta das ameaças que ele estava fazendo com os jogadores.

"Nosso contrato era de seis meses com valores previamente estipulados. Não podemos dar mais detalhes, mas nosso advogado já está procurando as soluções legais para esse transtorno", fala Alan.

Agora, os pro players se encontram em um hotel, cujas despesas estão sendo pagas pela Merciless Gaming.

"Estamos muito chateados com o que aconteceu", comenta Alan. "Temos contrato com os meninos e queremos que eles continuem por lá, sei do sonho deles e quando o fato aconteceu eu perguntei pra eles o que eles queriam, se era voltar ao Brasil ou tentar achar uma gaming house nova ou uma nova organização pra eles. Quero ajudar eles a conquistar esse sonho."

Mas nem tudo é fácil assim. Justamente por se encontrarem no Brasil e serem estrangeiros, os dois donos da organização encontram diversas dificuldades para alugar uma casa nos EUA, isso sem falar que estrangeiros não podem habilitar plano de internet para que os meninos treinem.

Dessa forma, a equipe precisa achar uma nova organização no exterior ou uma gaming house, caso contrário terá que voltar ao Brasil.

“A gente largou largou tudo no Brasil para morar aqui nos EUA, fizemos tudo que poderíamos fazer", se lamenta Leandro. Mas ainda há chances da história acabar bem: "Algumas organizações entraram em contato com a gente. Nosso hotel está pago até sexta, então estamos analisando o que vamos fazer direitinho ainda. Parece que, felizmente, temos opções."

Fonte: Brazilian Times