Publicado em 17/04/2017 as 2:00pm

Dono que expulsou brasileiros de casa apaga perfis na net e "some do mapa"

Merciless Gaming não consegue contato com Mason Dickens, proprietário da gaming house para quem pagava aluguel, desde quando jogadores foram colocados para fora

O proprietário da casa em Houston que expulsou o time brasileiro de Call of Duty da Merciless Gaming praticamente "sumiu do mapa". Trata-se de Mason Dickens, ex-manager da WinOut.net e Luminosity Gaming. Após o episódio chegar à imprensa, ele apagou os perfis que mantinha nas redes sociais, como Facebook e Twitter. Inclusive no Whatsapp a organização brasileira afirma que não consegue contato desde a última sexta-feira, quando tudo aconteceu.

O capitão Leandro "Le", Diogo "Krevz", Lucas "Lukinas" e Caio "CaioMeister" viviam na mesma casa que já recebeu jogadores brasileiros de Counter-Strike da antiga WinOut.net e da atual Luminosity Gaming, onde Mason mora com a esposa. Além de bancar alimentação e transporte dos jogadores, a Merciless pagava um aluguel a Mason, pessoa conhecida de Alessandro "Apoka" - ele é um dos donos da Merciless - nos seus tempos de técnico do time de CS das duas organizações.

Em contato com o SporTV.com, Apoka contou que Mason detém uma parte do valor de venda dos jogadores do elenco, mas aparentava não estar mais interessado em tocar o projeto. O dirigente afirmou que a organização passou a ceder às cobranças de Mason, como um aumento do aluguel de US$ 1 mil (R$ 3,1 mil) para US$ 1,4 mil (R$ 4,4 mil). Ele também teria pedido participação na venda de outros times da Merciless.

-  A primeira ameaça que ele fez foi a de querer mais percentual do time, porque falava que o trabalho todo quem fazia era ele, ele que tinha que manter os meninos lá. Como a gente não tinha outra opção, a gente foi cedendo algumas coisas. Ele aumentou o aluguel de US$ 1 mil (R$ 3,1 mil) para US$ 1,4 mil (R$ 4,4 mil). E ele sempre foi falando para os meninos: "o futuro de vocês é incerto, não sei até quando vai dar para vocês ficarem aqui". Na visão dele, ele começou a achar que os meninos não dariam certo e só seria tempo perdido.

Segundo Apoka, as ameaças eram constantes e surgiram a partir de fevereiro, segundo mês dos jogadores em solo americano.

- Ele foi sempre jogando contra e a gente com um pouco de receio. A gente tentava conversar com ele, mas não tinha muito o que fazer. Era isso ou "vou parar o projeto agora". Eu falava "você tem contratos, não pode fazer isso, tem que mantê-los aí até julho pelo menos".

Ainda segundo Apoka, Mason teria decidido expulsar todo o elenco da noite para o dia após saber que um dos jogadores estava em contato com outra organização.

- O derradeiro foi que parece que um dos meninos, o Caio, ele estava em contato com uma outra organização, ele recebeu um convite ou alguma coisa, e ele estava conversando com a organização para eles irem, receberem alguma coisa. Parece que o Mason viu essa conversa e foi a hora que ele falou que ele queria que os meninos fossem para fora da casa. Não avisou nada para a gente. (...) A gente não consegue falar com ele desde sexta. Ele deletou tudo.

Apesar do momento turbulento, os jogadores já sabem que vão permanecer nos Estados Unidos. No momento, eles estão hospedados num hotel numa cidade próxima a Houston. Uma reunião está programada para esta terça-feira para acertar o futuro dos jogadores, que deve ser definido até o fim desta semana. Há uma proposta de eles irem para Atlanta e outra para Utah.

Os brasileiros da Merciless disputaram dois torneios presenciais da Call of Duty World League, a liga internacional da modalidade: um em Atlanta, em fevereiro, e outro em Dallas, em março, onde ficaram a uma vitória de se classificarem para a fase principal. O terceiro evento previsto no calendário é em Anaheim, entre 16 e 18 de junho. Os jogadores têm contrato de um ano e meio de duração com a Merciless, e o visto deles para permanecer nos Estados Unidos acaba no fim de junho.

Fonte: Brazilian Times