Publicado em 12/05/2017 as 8:00am

Brasileiro recebe ordem para deixar os EUA depois de viver 20 no país

Pai de família e trabalhador, Nestor Marchi considera a "deportação uma sentença de morte"

Andy Marchi decidiu se tornar um bombeiro da cidade de Greenboro (Carolina do Norte) porque seus pais sempre lhe disseram para pensar nos outros. "Meu pai e minha mãe sempre me ensinaram a colocar os outros na minha frente", disse ele.

Marchi salva vidas para ganhar a vida, mas agora há uma vida que ele não pode salvar e que é de seu pai. "Eu realmente não posso ajudá-lo. Isso é meio difícil e realmente dói", disse ele.

Seu pai, Nestor Marchi, é um imigrante indocumentado do Brasil. Ele trouxe a família para os Estados Unidos em 1994 em busca de oportunidade. "Meu objetivo era vir aqui para dar algo para a minha família e uma vida melhor", disse ele bastante emocionado.

Nestor ultrapassou seu visto e começou a trabalhar como mecânico de companhias aéreas. Em 2004, ele foi pego em uma batida da imigração em seu local de trabalho.

O Departamento de Segurança Interna pediu a Nestor para fornecer informações sobre fraudes e abusos no setor aéreo. Ele concordou e as autoridades lhe deram uma licença de trabalho.

De 2005 a 2012, Nestor se apresentava em um escritório da imigração a cada 30 dias. Depois de 2012, ele começou a fazer os “check-ins” anuais.

Ele iria alertar a imigração de qualquer mudança no endereço e receberia uma autorização de trabalho. Mas em abril de 2017, Nestor recebeu a notícia de que precisa sair do país até 15 de junho. "A vida terminou para mim porque estou aqui por tanto tempo e me sinto um americano agora", disse ele.

O brasileiro planeja seguir as ordens e já comprou as passagens aéreas para voltar ao Brasil em 14 de junho. Mas ele espera que a imigração lhe dê mais tempo, porque tem insuficiência cardíaca congestiva e uma série de outros desafios médicos.

Nestor e seu filho se preocupam com o sistema de saúde moroso no Brasil que pode deixá-lo sem atendimento médico para até um ano e ele não sobreviveria a isso. "Conhecendo meu pai, sabendo como é a medicina brasileira, sabendo como o hospital e os médicos são, isso é uma sentença de morte", disse Andy.

O advogado de Nestor, Jeremey McKinney, está trabalhando para conseguir que a data seja adiada para que ele possa cuidar da sua situação de saúde.

Nestor espera que alguém de uma segunda olhada em sua história e possa dar-lhe uma segunda chance. "Eu sinto que as pessoas devem ser mais humanas. Cada caso é um caso e espero que reavaliem o meu. É isso que eu estou pedindo", disse ele.

O brasileiro espera que possa fazer seus planos médicos para que um dia tenha chance de retornar aos Estados Unidos e estar com sua família novamente. "Pode me arranjar algo que possa me manter vivo porque eu quero voltar, quero vir e ver meu filho e ele e sua esposa estão falando sobre ter filhos. Eu quero ver os netos", disse ele.

Fonte: Brazilian Times