Publicado em 19/06/2017 as 12:00pm

Casal que viajou de carro de Florianópolis para a América do Norte visita o Consulado-Geral do Brasil em Boston

Luciane e Walfredo contam, com exclusividade ao BT, um pouco da aventura que já dura um ano e quarto meses.

Casal que viajou de carro de Florianópolis para a América do Norte visita o Consulado-Geral do Brasil em  Boston O casal Luciane e Walfredo com a Cônsul Glivânia de Oliveira.

Se aventurar pelo mundo, conhecer novos países, lugares e culturas diferentes, muitas pessoas já tiveram este desejo, mas poucas conseguem realizá-lo. Esse não foi o caso de Luciene Bittenkurt Kumm, 58, e Walfredo Kumm, 61, o casal de fotógrafos que está realizando um sonho planejado há 20 anos.

Eles, que estão casados há 38 anos, saíram da cidade de Florianópolis (Santa Catarina) no dia 27 de fevereiro de 2016, em um Land Rover, em direção ao Alaska e estão há um ano e quarto meses na estrada. Já percorreram 12 países e rodaram cerca de 80 mil quilômetros.

Em Boston (Massachusetts), o casal foi visitar o Consulado brasileiro e conhecer a Cônsul-Geral, Glivânia de Oliveira, que fez questão de recepcioná-los e oferecer apoio.

A reportagem do BT conversou com o casal, que contou um pouco sobre esta aventura que requer coragem e determinação.

BT - Como surgiu a ideia de se aventurar e viajar de carro do Brasil para a América do Norte?

Família Kumm - Essa ideia tem praticamente 20 anos. A gente passou por várias metamorfoses para chegar até a viagem. Isso começou em 1998 e em 2012 fizemos uma tentativa e o carro pegou fogo, quando estava na Bahia e perdemos tudo. Não sobrou nada. Não deu certo, voltamos adoecemos, ficamos na cama e depressivos. De repente, decidimos sacudir a poeira e dizer: não vamos embora, vamos continuar com o que temos, vamos contudo. Porque não tínhamos nada e acabou dando certo.

BT - Quando vocês saíram do Brasil?

Família Kumm - Saímos dia 27 de fevereiro de 2016. Um ano e quarto meses estamos na estrada. Fomos direto até o Alaska, porque nossa meta era o Alaska, ver a aurora boreal, ver o urso pescando salmão. A gente viu tudo isso e muito mais. Nós fizemos história no Alaska e conhecemos famílias maravilhosas.

BT - Em quanto tempo chegaram ao Alaska?

Família Kumm - Em quatro meses a gente chegou ao Alaska, dia 25 de julho. Fomos devagar, ficamos 75 dias no Alaska, entramos no verão e saímos no inverno. Ficamos cinco meses em temperatura abaixo de zero. Fomos descendo e seguimos para a Flórida, onde ficamos três meses esperando o verão novamente para subir. Nos EUA, já percorremos 41 estados e faltam nove para conhecer. Só um, o Hawaii não vamos conseguir porque é muito caro chegar até lá. A gente agora vai desmembrar o Canadá, o lado leste, pois o oeste a gente já fez.

BT - E quanto tempo vocês permanecem em cada estado?

Família Kumm - Depende. Aqui, por exemplo, a gente encontrou muita gente que quer nos hospedar em suas casas e assim a gente vai ficando. Mas não é em todos os estados que encontramos pessoas que nos convidam para suas casas. Somente onde tem brasileiros. No Alaska, ficamos na casa de um norte-americano. Na Flórida também. Um rapaz norte-americano viu que estávamos procurando hotel e não encontrávamos. Então ele nos ofereceu para ficarmos em sua casa. Nos entregou a chave e foi dormir na casa da namorada dele.

BT - E quando não ficam hospedados em casas ou hotéis, onde ficam?

Família Kumm - A nossa casa é no carro. A gente dorme no carro, tem uma barraca em cima, à noite a gente abre a barraca. Ela é fixa no carro. A comida é feita no próprio carro, a gente só não tem o banheiro, o resto tudo é feito no carro.

BT - Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas na estrada do Brasil até aqui?

Família Kumm - A altitude do Peru, a travessia da Colômbia com o Panamá, que não tem estrada, tivemos que colocar o carro num container, pegar um avião e esperar o carro chegar. As estradas perigosas do México. Mas não tivemos grandes preocupações. Não sofremos nenhum assalto, nenhum aborrecimento, nós somos iluminados mesmo. O GPS (guiados pelo Senhor) guia a gente. Nós temos o lema de não se aventurar, não dirigir a noite, quando um sai o outro cuida do carro.

BT - Voces têm filhos? Eles apoiam vocês?

Família Kumm - Temos três filhos. Uma mora na Irlanda, um no Rio de Janeiro e o outro em Florianópolis. Os dois filhos mais novos já viajaram com a gente algumas vezes, então já estavam acostumados com o nosso ritmo. O mais velho, no início ficou meio preocupado, mas depois nos apoiou. O que mais dói e a saudade dos netos. Nós temos um neto que hoje está com três anos. Quando saímos de lá, ele estava com menos de dois, não falava e hoje já fala tudo.

BT - Até quando vão ficar em Massachusetts?

Família Kumm - Até esta segunda-feira (19), depois vamos subir para o Canadá, porque daqui a pouco o inverno chegará e nós temos que sair antes. Porque a gente vive na rua e com o inverno é mais perigoso de pegar um resfriado. Apesar de carregarmos alguns remédios, nós não temos seguro saúde.

BT - E quando e como pretendem voltar para o Brasil?

Família Kumm - A gente ainda não tem uma data para voltar. Nós queremos conhecer o máximo possível. Pretendemos voltar de carro e neste mesmo carro. Ele vive quebrando e consumiu quase toda a nossa reserve de dinheiro.

BT - E como fazem para conseguir dinheiro?

Família Kumm - Vivemos da venda de fotos que fazemos nos lugares onde estivemos, de doações, somos aposentados no Brasil, mas o que recebemos da aposentadoria é muito pouco. Somos fotógrafos pós-graduados e estudamos fotografia para esta viagem.

A viagem da Família Kumm pode ser acompanhada através das redes sociais: Facebook: Familia Kumme no site www.familiakumm.com.br.

Fonte: Claudia Carmo