Publicado em 26/06/2017 as 10:00am

É possível conquistar para a felicidade através da fé e religião?

“A única certeza é a morte, porque tudo tem um começo e tudo tem um fim.”

É possível conquistar para a felicidade através da fé e religião? Leila Messias

Esta semana o Brazilian Times começa a publicar uma série de matérias sobre fé, religião e espiritualismo. O objetivo é discutir e refletir sobre o que nos move em busca de nossas realizações como ser humano e na conquista de nossos sonhos.

A discussão é complexa e não visa educar, julgar ou promover nenhuma religiosa ou seita.

Nossa reportagem conversou com várias pessoas sobre o assunto. Pessoas comuns que falam de suas experiências pessoais e de como buscam o bem-estar espiritual.

Em um artigo sobre o tema para a o Portal Jornalismo em 2015, a jornalista Laura Stabili perguntou ao teólogo Leonardo Boff, qual é a melhor religião? Ele respondeu: “aquela religião que o faz mais humano, mais sensível, mais compassivo e capaz de amor e perdão. Esta é a melhor religião”, ressaltando que “cada um deve encontrar aquele caminho que o torne melhor.”

Muitos dizem que ter fé e uma experiência pessoal de cada um e que religião significa fazer parte de um grupo ou comunidade que compartilham das mesmas ideias e crenças. No Brasil, segundo dados do Jornal O Globo, “de janeiro de 2010 a fevereiro deste ano, 67.951 entidades se registraram na Receita Federal sob a rubrica de organizações religiosas ou filosóficas.”

Cristianismo continua sendo a religião mais praticada no mundo. Segundo o Boletim Internacional de Pesquisa Missionária, que publica levantamento das estatísticas religiosas em todo o mundo, existem mais de 2,4 bilhões de cristãos em todo o mundo, seguido por 1,7 bilhão de islamitas e cerca de de 136.400 mil ateus no mundo.

Diante de mundo moderno movido pela tecnologia, materialismo e busca de fama e amor a qualquer custo, os conflitos são muitos, causando consequências drásticas como aumento de suicídio, doenças psicológicas e dependência química.

A crise de opioides (drogas que atuam no sistema nervoso para aliviar a dor), incluindo analgésicos prescritos por médicos e drogas como a heroína, afeta mais de 2 milhões de pessoas somente nos Estados Unidos, e os casos de overdose triplicaram nos últimos anos. Além do abuso de álcool, maconha, cocaína, etc. De acordo com pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizada em 2015, a depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo. Um crescimento de 18,4%, desde 2005. Esta mesma pesquisa diz que 11,5 milhões de brasileiros sofrem com este problema, ficando atrás somente dos Estados Unidos que têm 5,9% de depressivos. Para muitas pessoas ter religião ou ter fé pode ajudar na conquista da felicidade e a vencer a necessidade de ‘anestesiar a dor’ e enfrentar a realidade e seus desafios.

A carioca Leila Messias acredita que: “Religião é um conjunto de práticas, doutrinas e dogmas dentro de um contexto cultural. Um sistema criado pelo homem que visa a sua ligação com o divino, o sagrado, através da fé e da crença em um Deus ou vários deuses", diz a voluntária e Conselheira de Saúde do Cambridge Health Alliance, ressaltando que para a mesma “Espiritualidade é o imaterial, a visão, a relação, e a vivência que transcende a dimensão material.”

Leila foi criada dentro da religião Católica, mas sente que após estudar o “evangelho segundo o espiritismo” aprendeu a entender melhor a mensagem de como ser cristão. “Pratiquei religiosamente o espiritismo dentro da Umbanda, e em Fraternidades espirituais. Conheci um pouco da pratica religiosa do Candomblé e aprendi a mitologia e arquétipos africanos que são muito importantes na egrégora (força espiritual criada a partir da soma de energias coletivas) do Brasil para a formação da raça brasileira. Nas religiões orientais tenho aprendido que todos temos uma natureza perfeita e devemos trabalhar nosso potencial e o do outro para alcançarmos o nosso verdadeiro ser. Me considero uma pessoa religiosa com espírito livre. Sou espiritualista evolucionista.” Leila reside nos Estados Unidos desde 1986 acredita que Deus é uma palavra que vem sendo muito mal usada e abusada. "Eu creio em um ser superior. Ele é a minha força de vontade e eu sou a força de vontade dele" ressalta.

Para Leila precisamos nos conhecer melhor como pessoas, entender nossas necessidades, talentos, faltas e sonhos. Ela acredita que a vida é uma jornada e que a única certeza é a morte, porque tudo tem um começo e tudo tem um fim. “A gente precisa aprender a criar a nossa realidade e mudá-la se for necessário. Precisamos de paciência e tolerância para aprender a esperar e aceitar o tempo que funciona para nós. Precisamos conhecer a nossa realidade porque a dos outros não nos serve. Ter pensamentos negativos é como se alimentar mal, o resultado não vai ser bom. É difícil viver felicidade com a mente e, ou corpo doente. Enfim, viver felicidade e ter paz de espírito é uma conquista. A gente vive a felicidade ou não. Bem- estar é a mistura de felicidade com paz de espírito. Um estado de fé, esperança e plenitude, mas temos que nos preparar para isso”, complementa.

Fonte: Adriana Sena Sears