Publicado em 8/07/2017 as 7:51am

Como duas chefs brasileiras levaram um cantinho de Ipanema para NY

O Market Ipanema está bem cotado no Yelp, app por meio do qual o público avalia restaurantes.

Como duas chefs brasileiras levaram um cantinho de Ipanema para NY Depois de empreender no Rio de Janeiro, Carol Figueiredo e Bia Lobato levaram o business para Nova York e falam das perdas e ganhos com a troca.

Tapioca recheada com queijo de cabra e cogumelos. Pão-de-queijo com provolone. Açaí com gosto de Rio de Janeiro. Salada de frutas fresquinha. Granola feita in loco. Pudim de maracujá e chia. Tudo natural, preparado na hora e com amor. Para brasileiros, o cardápio pode até soar familiar e “ali na esquina”. Mas para os americanos, e para os expatriados que vivem em Nova York, o Market Ipanema é um alento, pois coloca o paladar brasileiro no movimento farm to table (que busca usar fornecedores locais e ingredientes frescos nos empreendimentos gastronômicos) da cidade.

O restaurante é um empreendimento de Bia Lobato, 45, e Carol Figueiredo, 38, que exportaram para Manhattan, há um ano, uma réplica do original, que funcionou em Ipanema por cinco anos e hoje tem uma filial no Centro do Rio.

A história aqui, porém, é sobre empreender fora do país, vendendo um produto e uma identidade brasileiros. O Market Ipanema está bem cotado no Yelp, app por meio do qual o público avalia restaurantes e Bia se desmancha de emoção a cada vez que um “gringo” lhe conta que já esteve no restaurante original no Brasil.

Ela fala, porém, sobre os questionamentos que têm sobre como posicionar o seu negócio: “Ainda não sabemos se devemos nos apresentar como restaurante brasileiro. As pessoas vêm pedir coxinha de galinha. Não temos. Nossa culinária é leve e natural”

O local, NoLita, bem ao lado do SoHo, foi escolhido a dedo.

Com uma equipe de cinco pessoas, elas produzem todos os dias o pão, a granola e o pão-de-queijo que vai saindo em fornadas ao longo da tarde. Bia e Carol também são famosas pelo risoto de quinoa, arroz integral e pelo hambúrguer vegetariano, cujo acompanhamento muda semanalmente.

Pela manhã, entregadores de sites como Seamless ou GrubHub chegam com suas bicicletas e capacetes para buscar os kits de café-da-manhã encomendados por clientes que já estão no escritório. Misturados com a clientela que opta comer ali ou levar para casa as porções expostas nas prateleiras, é um verdadeiro entra-e-sai. O fluxo segue assim vai até as cinco da tarde, quando elas fecham as portas.

Bia, que além de cozinhar atende no balcão, fala de como elas logo entenderam a dinâmica de empreender em Nova York: “É preciso ter muita transparência. Falo tudo para os clientes, incluindo o custo de cada item”.

Ela conta também que a escolha do local, em NoLita, ao lado do SoHo, foi estratégica. “Tinha de ser numa área de novos empreendimentos, com gente muito jovem, e um público que dê valor a esta culinária. Nunca mudei o conceito. Está sendo uma experiência muito interessante e muito difícil”, diz.

Ela já escutou de várias fontes do setor que é preciso esperar três anos para ver se um negócio dá certo, e faz algumas comparações com o Brasil: “Nos Estados Unidos é muito mais fácil contratar e dispensar pessoas, um dos maiores problemas no Brasil. Por outro lado, aqui você sempre será o estrangeiro”

Além disso, ela está ciente de que disputa o mercado com redes gigantes de saladas, como Sweetgreen e By Chloe. “A concorrência é excelente e você tem que ser muito melhor, tem que trabalhar muito mais”, diz ela. Na prática, significa, por exemplo que os ingredientes do Market Ipanema são escolhidos com extremo critério. Achar o açaí ideal, por exemplo, foi uma luta. “Até que um dia um cara bateu na nossa porta, brasileiro, e disse que estava trazendo o açaí do Pará. Era açaí de verdade. Adorei”, conta ela, que prepara tigelas com granola, blueberry, banana e morango.

Fonte: Redação - Brazilian Times