Publicado em 26/07/2017 as 2:00pm

Brasileiros empreendem com produtos típicos nacionais e fazem sucesso nos EUA

O empreendedorismo brasileiro no exterior, entretanto, vai além dos limites da saudade e inclui franquias de alimentação, empresas de tecnologia e indústria de cosméticos, entre outros setores.

Brasileiros empreendem com produtos típicos nacionais e fazem sucesso nos EUA Diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior, ministra Luiza Lopes da Silva

Saudade é palavra brasileira para dizer do sofrimento causado pela falta de algo ou alguém. Mas a saudade também tem virado um mercado internacional promissor, com o comércio de produtos e serviços tipicamente brasileiros no exterior. Segundo levantamento inédito do Ministério das Relações Exteriores, há cerca de 20 mil micros e pequenos empreendimentos formais de brasileiros no mundo.

A maior parte deles está ligada ao chamado “mercado da saudade”, que vai desde açaí, tapioca e feijão a salões de beleza e academias de capoeira e jiu-jítsu.

Os Estados Unidos concentram quase a metade deles, com 9 mil. Em seguida estão o Japão, com 1,5 mil, e a França, com 1.320.

O empreendedorismo brasileiro no exterior, entretanto, vai além dos limites da saudade e inclui franquias de alimentação, empresas de tecnologia e indústria de cosméticos, entre outros setores. “Normalmente, eles começam fornecendo produtos e serviços para a própria comunidade brasileira: biquínis, havaianas etc. Começamos com mercados seguros dos produtos brasileiros e depois fomos expandindo bastante”, afirma a diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior, ministra Luiza Lopes da Silva.

O levantamento do Itamaraty levou em conta os micro e pequenos empreendedores formais, mas há muitos outros que não entraram na estatística. Apenas nos EUA, a estimativa é que 48,3 mil brasileiros desenvolvam atividades autônomas informais.

Antes desse estudo, as áreas consulares não ofereciam apoio aos micro e pequenos empreendedores. A intenção agora é que os cerca de 200 postos consulares sejam uma referência para quem quer empreender lá fora, dando informações sobre o que é necessário para abrir um negócio no exterior. “Quando se falava em comércio internacional, só se pensava em exportação. O microempreendedor no exterior estava navegando em mares desconhecidos. Procuramos ser um ponto de apoio para eles”, diz a ministra.

Mineiro de Belo Horizonte, o professor de jiu-jítsu Rodrigo Mendanha resolveu navegar por essas águas desconhecidas. Há cinco anos, ele se mudou com a esposa, Fernanda, e os dois filhos, Gabriela e André, para o Canadá. A ida foi motivada por uma reportagem sobre o processo de imigração na província do Québec. “O que procuravam éramos nós, a nossa família”, conta Mendanha, que está à frente da academia Gracie Barra Brossard, na Grande Montreal.

Sempre ligado ao esporte, Rodrigo, publicitário de formação, tinha uma agência em BH, e fez do jiu-jítsu uma profissão no Canadá, incentivado por colegas brasileiros. “É muito simples e muito menos burocrático. As regras aqui são mais claras. As oscilações no mercado são infinitamente menores, o que te dá confiança para fazer planejamentos a longo prazo”, afirma Mendanha, destacando que, no Canadá, não há espaço para ilegalidades ou o famoso “jeitinho brasileiro”.

O professor destaca que a Gracie Barra Brossard, em quatro anos, já formou vários campeões e conta, atualmente, com alunos de 20 nacionalidades. Os brasileiros representam apenas 15% desse total. “Sentimo-nos embaixadores do nosso país. Temos a bandeira do Brasil na parede, açaí à venda, promovemos churrascos de confraternização com um legítimo gaúcho comandando a churrasqueira e samba de raiz de fundo, e um jiu-jítsu brasileiro de alto nível”, reforça o professor.

Fonte: Redação - Brazilian Times