Publicado em 12/11/2017 as 9:00am

Declaração do GMB: Comunidade brasileira vive momento histórico

As eleições de novembro de 2017 representam um momento histórico na história da comunidade...

As eleições de novembro de 2017 representam um momento histórico na história da comunidade brasileira de Massachusetts. Framingham, uma cidade de maioria branca e uma das maiores comunidades brasileiras da região, elegeu a housecleaner brasileira Margareth Shepard vereadora. Elegeu também Yvonne Spicer, mulher e negra, sua primeira prefeita. Em Everett, Marcony Almeida, gay, foi eleito para o conselho escolar e em Boston Lydia Edwards, advogada de direitos trabalhistas, uma das fundadoras da Coalizão das Trabalhadoras Domésticas e uma das arquitetas da Carta de Direitos das Trabalhistas Domésticas, foi eleita vereadora. Pela primeira vez na história da Câmara de Vereadores de Boston seis, dos 13 membros, são mulheres de cor.

O Grupo Mulher Brasileira não considera a não eleição de Stephany Martins, vereadora em Everett, uma derrota. Apesar de não ter sido eleita, Stephanie cumpriu e cumpre um papel importantíssimo de inspirar muitas outras mulheres latinas, brasileiras e de cor a entrarem na política.

O resultado das eleições de 2017, exatamente um ano após as eleições presidenciais de novembro de 2016, que chocaram e paralisaram toda uma nação, são um sopro de esperança e uma demonstração de garra e disposição. Massachusetts elegeu três mulheres prefeitas, a Virginia eleger um governador democrata e a primeira mulher trans, Danica Roem, para a Assembleia Legislativa. A Carolina do Norte elegeu sua primeira prefeita, Vi Lyles, negra. Nova Jersey também elegeu um governador democrata, além de eleger Ashley Bennett, que decidiu concorrer após ouvir uma piada sexista do candidato John Carman.

Essas vitórias são um sopro de esperança e um raio de luz no cenário político difícil que vivemos. Denunciamos como cruel a decisão do Departamento de Segurança (DHS) Interna de acabar, a partir de janeiro de 2019, com a Proteção de Status Temporário (TPS) para os 2.500 nicaraguenses radicados nos Estados Unidos com este alívio imigratório. Ao invés de acabar, o Departamento deveria conceder status permanente para estas famílias e para haitianos e salvadorenhos, que vivem a incerteza e sob a ameaça de também perderem seu TPS. O Grupo Mulher Brasileira está solidário e reafirma seu compromisso com nossas irmãs e irmãos nicaraguense, haitianos e salvadorenhos e todos os povos oprimidos.

O Grupo Mulher Brasileira também alerta para a frequência cada vez maior de matanças por homens brancos, geralmente, com um histórico de violência. Dados da organização Center for Gun Policy and Research, de Baltimore, Md, mostra haver uma conexão forte entre o matador e a violência doméstica.  Segundo o Centro, 54% dos casos de matança foram praticados por homens brancos que já haviam perpetrado violência doméstica.

Violência doméstica e abuso sexual são problemas graves na comunidade brasileira, como no mundo inteiro, e precisam ser tratados com a seriedade que merecem. O resultado das eleições de 2017 demonstram a força das bases e do povo que saiu para votar. É esta base e este povo que tem o poder de mudar comportamentos.

Fonte: Redação - Brazilian Times