Publicado em 15/12/2017 as 4:00pm

ICE mantém 92 imigrantes em avião por dois dias em condições de “escravos”

O Immigration and Customs Enforcement (ICE) manteve 92 imigrantes acorrentados em um avião...

ICE mantém 92 imigrantes em avião por dois dias em condições de “escravos” Rahim Mohamed com seu filho, um cidadão dos EUA.

O Immigration and Customs Enforcement (ICE) manteve 92 imigrantes acorrentados em um avião durante 46horas em conduções de “escravos”. A denúncia chegou à mídia através de denúncias feita por vários ativistas que retrataram que os presos foram maltratados antes de serem deportados para a Somália, no início do mês.

O avião, que foi fretado pela divisão de operações aéreas do ICE, fez uma parada em Dakar, no Senegal, 10 horas depois de sair de Louisiana, no dia 7 de dezembro. Mas de acordo com a denúncia, a aeronave nunca chegou a Mogadíscio.

Em vez disso, após ficar quase um dia em Senegal, o avião retornou para os Estados Unidos, chegando ao país em 9 de dezembro.

Um dos imigrantes que estavam no avião e um advogado de outros dois disseram que o ICE privou os passageiros de comida e água adequadas, além de restringir o acesso ao banheiro. “Os agentes nos obrigaram urinar nas garrafas de água que eles terminavam de beber”, disse.

Os imigrantes afirmaram também que o sistema de ar condicionado da aeronave não funcionava bem, dificultando a respiração. Um deles relataram que foram esbofeteados por agentes do ICE enquanto estavam a bordo. “"Nós fomos tratados como escravos", disse Rahim Mohamed, 32, motorista de caminhão diabético e pai de duas crianças, ele vive nos Estados Unidos desde 2002. “Nós ficamos algemados por quase dois dias”, continuou.

De acordo com o imigrante, eles foram proibidos de usar o banheiro. “Não recebi a medicação que eu preciso. Eu urinei dentro de uma garrafa e então acabei urinando em mim. Foi uma coisa horrível, cara. Achei que a minha vida fosse acabar”, finaliza.

Para Rebecca Sharpless, professora de Direito da Imigração da Universidade de Miami (Flórida), que acompanhou o caso, a ação foi uma grave violação da decência básica e diretos humanos. “Se você acorrentar alguém a uma cadeira por quase 46 horas com pouco alimento e pouca água, sem acesso a um banheiro, é uma violação de seus direitos humanos. É uma reminiscência de uma experiência de escravo", disse.

Em uma declaração, o ICE negou que as denúncias e disse que a história contada pelos imigrantes é mentirosa. De acordo com a agência, 61 dos 92 imigrantes têm condenações criminais, incluindo "homicídios, estupros e agressões agravadas". Os demais foram presos por estar vivendo ilegalmente nos EUA.

O ICE não forneceu uma razão exata porque o avião não conseguisse viagem e retornou aos EUA.

Fonte: Redação - Brazilian Times