Publicado em 20/12/2017 as 10:00am

Baiana perde guarda da filha após relatar ter sofrido violência doméstica

Mônica Cristina Viana está impossibilitada de ver a filha e clama ajuda para que a comunidade a ajude encontrar um caminho para solucionar o problema.

Baiana perde guarda da filha após relatar ter sofrido violência doméstica A mãe de Mônica veio do Brasil para ajudá-la a cuidar da filha.

Natural de Salvador, a baiana Mônica Cristina Viana, 35 anos, atualmente mora em New York. Ela entrou em contato com a redação do Brazilian Times para contar o drama que vem vivendo e a luta para ter a sua filha de volta. De acordo com o seu depoimento, com apenas um mês de nascida, a bebê foi tirada dela, que também cita momentos de violência doméstica.

Ela chegou aos Estados Unidos como turista, há quase três anos, e logo no segundo mês de sua estadia, conheceu aquele que se tornaria o pai de sua filha. “Me apaixonei e achava que seria o homem da minha vida. Fiquei encantada, com um homem maravilho, que abria a porta do carro, trazia flores. Com poucos dias, me pediu em casamento, ligou para o meu pai. Eu estava completamente apaixonada e aceitei e fomos morar juntos, compramos tudo para a casa”, relata.

De acordo com a baiana, dois meses depois do casal estar morando junto, ela engravidou. “Não foi uma gravidez esperada, mas eu a recebi de forma positiva, porque na época eu já tinha 33 anos”, fala. “Logo no primeiro dia informamos aos meus pais e eles ficaram em choque, mas aceitaram que seriam avós”, continua.

Mônica lembra que nos primeiros momentos, o pai da criança também reagiu de forma positiva e se mostrou satisfeito com a gravidez. “Mas pouco tempo depois, tudo mudou. Um relacionamento de sonhos e esperança se tornou um pesadelo. Cinco dias após eu descobrir que estava grávida, fui informada que seria era uma gravidez de risco. Então fui encaminhada para fazer outro ultrassom e um diante desta consulta, ele me agrediu verbal e fisicamente”, relata.

A baiana afirma que o companheiro bateu em seu rosto, a jogou do outro lado da cozinha, jogou o celular dela no vaso sanitário para evitar que ela pudesse se comunicar. “Durante dois dias fiquei presa em casa, isolada e sem conseguir falar com ninguém”, explica. “Além disso eu fiquei sem contato telefônico com a minha família e meus amigos por dois meses”, continua.

Após ser liberada da prisão, Mônica passou meses vivendo da ajuda de amigos.

Mônica fala que após as agressões é que descobriu que o companheiro já tinha um histórico de violência. “Ele batia na ex-mulher, quebrou os dentes de outra ex dele. Com o pouco tempo de convivência eu não percebi esse lado agressivo”, explica. “Ele dizia que quebraria a minha cara e me mataria. A reação da mãe dele quando soube que eu estava grávida foi inacreditável. Ela, que morava no primeiro andar, começou a gritar e me culpar. Eu chorei muito e desci para o basement porque não suportei tanto abuso por parte dela”, disse.

O pai é brasileiro, tem 37 anos, se naturalizou cidadão dos Estados Unidos e Mônica acredita que a revolta da mãe seria por ela acreditar que a gravidez seria um golpe oportunista para a obtenção do Green Card. “Eu acho que é isso, pois não consigo encontrar outra explicação”, continua.

Devido a agressão, ela não foi à consulta marcada para a ultrassonografia de emergência. Funcionários do hospital ligaram, mas não conseguiram mais contato com Mônica devido ao telefone ter sido jogado no vaso. “Eu só pude irão médico dez dias depois que ele me agrediu, em 10 de maio de 2015, quando eu cheguei ao local e ele continuou as ameaças de que se eu abrisse a boca ele mataria a mim e ao bebê que estava esperando”, fala.

Além disso, o companheiro de Mônica a chamava de “imigrante de mer..” e que se ela contasse algo para alguém, ela a jogaria em uma vala e ninguém se importaria, pois ela era uma imigrante. “Ele me disse que tinha técnicas para esconder meu corpo, pois tinha servido as forças armadas no Brasil”, fala ressaltando que sofria agressões e muitos socos na cabeça. “Ele dizia que sabia como me agredir e não deixar marca”, se emociona.

De acordo com um depoimento emocionante, em todas as consultas que ela comparecia, o companheiro a ameaçava de morte. “Eu entrava, com medo, e começava a chorar”, se lembra.

Durante a gravidez, Mônica sofreu vários abusos emocionais, psicológicos, agressões físicas, verbais e sexuais. “Ele me forçava a ter relação com ele. Era horrível. “Eu pedi para voltar ao Brasil e ele escondeu o meu Passaporte e me disse que só devolveria se eu abortasse”, segue. “Eu tinha muito medo e não conseguia reagir. Eu me calei durante este tempo todo porque é um assunto delicado para falar com as pessoas e porque tinha medo do que ele poderia fazer com a minha filha”, acrescenta.

Mônica fala que suportou as agressões pela sua filha e quando ela nasceu, em 17 de janeiro de 2016, “nasceu junto com ela”. A baiana pensava que o tormento passaria, mas a agressividade do companheiro se tornou maior. “Consegui, sem a ajude dele, trazer a minha mãe para me ajudar nos primeiros meses e quando ela chegou se deparou com o inferno que eu vivia”, disse. “Ele nunca me ajudou a cuidar dela, jamais trocou uma fralda”, continua.

No primeiro mês de nascimento da criança, o pai foi ao Brasil e ao voltar, dia 23 de fevereiro de 2016, Mônica foi agredida pelo companheiro e pela mãe dele. “Eu decidi chamar a polícia, mas quando os policiais chegaram, não quiseram me ouvir e conversaram diretamente com os donos da casa e eles mudaram a história e eu fui presa”, disse. “Eu fiquei presa durante 20 horas, com as mãos e pés algemados”, continua.

Após passar por um juiz, ela foi liberada para responder ao processo em liberdade. “Quando eu saí, não tinha ninguém por mim. A minha filha ficou em casa com a minha mãe. Eu fiquei impossibilitada de vê-la, porque recebe uma ordem de restrição para não me aproximar da casa”, relata. “Quando eu recebi o direito de amamentar a minha filha uma vez por dia, após uma audiência no dia 29 de fevereiro de 2016. Mas eu não podia me aproximar da casa e a corte não me deu nenhum papel escrito com a autorização. Diante disso o pai e a avó paterna ameaçaram chamar a polícia se eu me aproximasse”, afirma.

“Ele disse para o juiz que eu tenho problemas mentais, e esta foi a principal acusação. Mas ele também disse que eu cortei o dedo da minha filha, que forcei a vê-la. Mas eu nunca fiz nada disso”, fala ressaltando que “devido às mentiras dele, ela foi presa novamente e ficou detida por 15 horas”.

Dez dias depois que aconteceu a prisão, a mãe de Mônica entrou em contato com uma amiga que mora no Texas e pediu ajuda para sair da casa. Ela também afirma que foi abusada pelo companheiro da filha. Enquanto isso, a baiana vivia de favores, de casa em casa, sem dinheiro. “Graças a Deus eu reencontrei uma amiga que me permitiu morar na casa dela, sem precisar pagar nada por três meses”, disse. “Nesse período, ela colocou em um grupo no Facebook que eu precisava de ajuda e trabalho e consegui um emprego em um salão de beleza”, continua.

Emocionada, Mônica clama para ter a filha de volta.

LUTA PELA FILHA

Ela está lutando para poder ter a filha de volta e buscou um advogado, mas lhe recomendaram um defensor público que lhe recomendou voltarão Brasil. “Eu jamais voltarei. Vou lutar até o fim pela minha filha. Estou em busca de recursos para pagar um advogado particular, mas até agora todos se aproveitaram da minha inexperiência e não fizeram nada”, disse.

Mônica disse que orou bastante para que Deus lhe indicasse um advogado e conseguiu um que assumiu o caso e vai lutar ao lado dela. “Eu trabalho até 20 horas por dia para pagar as despesas. Eu quero a minha filha”, continua.

Estou expondo a minha história porque não consigo lutar sozinha. “Minha filha quase dois anos e estou sem notícias dele durante este período. Minha advogada está tentando que a justiça me permita vê-la de novo. Eu sobrevivo porque tenho muita fé em Deus e sei que minha filha precisa de mim”, se emociona.

Neste momento, um tribunal concedeu ordem de visita semanal, mas ainda não foi oficializada, pois a decisão judicial é para que os encontros aconteçam em uma clínica psicológica. “Minha advogada deixou claro que eu sou a vítima na história e que iria encontrar outro local para as visitas, tais como uma igreja ou organização”, explica.

A Igreja Missionária aceitou ser o local para estes encontros, mas até o momento a justiça não definiu o que fará sobre o assunto. “Neste período, o que já passa de um mês, eu fui ao local determinado a princípio para ver a minha filha, conforme ficou determinado, mas não havia ninguém lá. Falei para minha advogada e ela me orientou a ir novamente, certificar-me e chamar a polícia se realmente o pai não levou a minha filha”, fala ressaltando que seguiu as recomendações.

“Mas eu não entendo é que na audiência seguinte, quando minha advogada disse que o pai violou a determinação judicial, a juíza me disse que foi eu quem violou porque não sou flexível”, relata. “Já passei por três relatórios psiquiátricos para provar que não tenho os problemas mencionados pelo pai. Por que tanta injustiça”, indaga. “Por que tiraram o direito de uma criança ter a mãe do lado?”, segue.

A única ajuda que Mônica pede para a comunidade é oração e pensamentos positivos. “Alguém me ajude a encontrar o caminho, a solucionar esta situação”, finaliza.

Para as pessoas que desejam ajudar a Mônica. Aqui estão os links:

Go fund me:
https://www.gofundme.com/givebellabacktohermother

Pay pal:
givebellabacktohermother@gmail.com

Bank:
santander: ag 0797 cc:01006746-5

Fonte: Redação - Brazilian Times

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