Publicado em 31/01/2018 as 4:00pm

Brasileiro é preso pelo ICE em Lawrence durante entrevista para Green Card

Fabiano de Oliveira é casado com uma cidadã dos EUA e tem um filho nascido no país. A prisão gerou um debate sobre as ações do ICE, pois este não é um caso isolado.

Brasileiro é preso pelo ICE em Lawrence durante entrevista para Green Card Fabiano não tem registro criminal e foi preso durante entrevista para iniciar legalização.

Os imigrantes indocumentados que são casados com cidadãos dos Estados Unidos estão sendo presos por agentes do Immigration and Customs Enforcedment (ICE) em suas primeiras tentativas de ganhar residência legal no país. A atitude é fruto de uma operação que busca acelerar a repressão contra os migrantes, de acordo com advogados que atuam na região da Bay State, em Boston (Massachusetts).

“Isso é frio, insensível, sem coração, inconcebível. Não é algo americano. Não há necessidades disso”, disse o advogado de imigração Jeffrey B. Rubin em uma entrevista para o jornal Boston Herald.

O advogado está no caso do brasileiro Fabiano de Oliveira, que foi preso no dia 9 foi preso por agentes do ICE quando ele e a esposa estavam no escritório do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS, sigla em inglês), em Lawrence (MA). O casal estava dando início ao processo rotineiro para determinara legalidade do matrimônio – um pré-requisito para obter a residência legal sob um casamento com um cidadão do país.

Rubin estará no tribunal de imigração esta manhã no prédio federal John F. Kennedy no centro da disputa pela liberação de títulos para seu cliente, Fabiano de Oliveira.

A entrevista é o passo inicial para a obtenção do Green Card. O brasileiro entrou nos EUA em 2005, de acordo com o seu advogado, que ressalta que este tipo de ação agressiva por parte dos agentes do ICE não era utilizada há pelo menos uma década. "Isso costumava acontecer em meados dos anos 2000", disse Rubin.

Ira Mehlman, diretor de mídia da Federação para a Reforma da Imigração Americana, um grupo que favorece a restrição à imigração, disse na noite passada que o ICE está "fazendo o que é suposto fazer".

Ele destaca que a fraude do casamento tem sido um problema frequente e não quis comentar o caso do brasileiro. "Não há dúvida de que o ICE está intensificando a execução - o que foi nulo sob o presidente Obama", continuou.

O ICE também não quis comentar a prisão do brasileiro.

Durante o mandato de Obama, as autoridades de imigração simplificaram o processo para obtenção do Green Card, permitindo que certos imigrantes indocumentados se candidatassem nos Estados Unidos antes de retornar aos países de origem para obter a documentação necessária.

A mudança significou manter as famílias juntas nos EUA e acelerar um processo que, no passado, poderia levar vários anos, de acordo com especialistas.

Karah de Oliveira, de 28 anos, disse que o casal tem um menino de 5 anos e se casou com o brasileiro em outono de 2016 e começou o namoro teve início em 2010.

Ela disse que o dia em que seu marido foi levado algemado pelos agentes a deixo muito abalada e assustada. A esposa afirma ainda que tem uma petição que determina que seu casamento era legítimo. "Eu chorei durante cinco dias. Mas não posso fazer isso na frente do meu filho porque não quero que ele perceba que algo está errado", disse ela. "Meu marido está na prisão. Lá não é o lugar dele. Meu filho está sem pai.

Rubin disse que seu cliente - que é pintor - tem um registro quase impecável que inclui apenas um delito por dirigir sem licença e que uma verificação de impressão digital do FBI "nem revelou".

Mas este não foi um caso isolado. A advogado de imigração Zoila Gomez disse que duas clientes casadas com maridos estadunidenses também foram presas pelo ICE no escritório de imigração em Lawrence no início deste mês. Uma das mulheres é de El Salvador e a outra da República Dominicana.

"Não entendo a ação do ICE que prende alguém que solicita esse tipo de benefício. O que eles estão dizendo é que ‘não faça isso porque se você se inscrever, nós vamos prendê-lo - nós vamos deportar você’”, disse a advogada.

Fonte: Redação - Brazilian Times