Publicado em 9/02/2018 as 7:26am

Entrevista com a ativista Ana de Oliveira

Nos últimos meses estamos reunindo aqui Brasileiros de destaque para saber sobre a aventura que...

Nos últimos meses estamos reunindo aqui Brasileiros de destaque para saber sobre a aventura que os fez sair do Brasil para vir morar  nos Estados Unidos.

Ana Oliveira  é  bastante conhecida na nossa comunidade porque trabalha diretamente com os imigrantes.

A Professora Ana Oliveira, como gosta de ser chamada, é uma apaixonada pela Comunidade Imigrante e defensora dos Direitos do Imigrantes tendo participado de diversas passeatas e movimentos em todos os Estados Unidos.

Ana Oliveira, aos 57 anos de idade, esta cursando Direito e, além de gerenciar seu pequeno escritório no coração do Ironbound, também trabalha em um escritório de Advogados especializado em Imigração. Esta Catarinense é cheia de energia e ainda dedica horas ao serviço voluntário e a administração de sua Escola de Inglês Online.

Temos o prazer esta semana de te-la como entrevistada  na minha coluna no Brazilian Times.

Obrigada pela sua disponibilidade em responder minhas perguntas.

- Qual a sua origem no Brasil, estado, cidade?

Joacaba - Santa Catarina porém vivi a maior parte de minha vida em Curitiba - Paraná

- Quanto tempo nos EUA?

19 anos 

- Como foi para você esta mudança de país? Foi uma coisa planejada ou aconteceu na sua vida?

Vim aos Estados Unidos  para finalizar meu Mestrado em Ensino de Língua Inglesa e para ter a experiência de viver um (1) ano fora do Brasil. Porém, acabei me apaixonando e aqui fiquei.

- Como você viveu este processo de adaptação?

Foi uma mudança drástica. Vivia em uma casa grande, empregada, dando aula em Universidades no Paraná. Aqui fui viver em um apartamento pequeno, e sem família por perto para ajudar com as filhas que ainda eram menores.

Comecei trabalhando em Escolas de Inglês como Segunda Língua e depois de alguns anos passei a trabalhar em Faculdades (colleges) americanos e também escritórios de Advogados.

Porém, nunca pensei em voltar. Foi amor a primeira vista.

- Qual foi a parte mais difícil desta mudança?

A saudade da família. Minha avó que me criou e meu pai faleceram quando eu ainda estava sem documentação e não pude me despedir deles. 

- O que você mais gosta do lado profissional e pessoal  morando aqui nos EUA?

A possibilidade de criar e estudar sem barreiras da idade. Tenho uma pequeno negócio, sou independente e sei que tenho trabalho sempre que desejar. 

- Você  trabalha diretamente com os imigrantes, conta um pouco do seu trabalho e como foi o seu começo?

Comecei como Professora em escolas de ESL (Inglês como Segunda Língua) porém, logo após os atentados terroristas de Setembro de 2001, comecei a me envolver com assuntos de imigração pois um casal de alunos foi preso. Assim comecei minha trajetória de Ativista pelos direitos dos Imigrantes. 

- Você acredita num reforma imigratória abrangente ainda no governo Trump?

Não, não creio que seja possível. Infelizmente, tanto o lado que apoia a Reforma quanto o lado que é contra ela, parecem não ter condições de encontrar uma solução que venha de encontro as necessidades e anseios de todos.

Além do mais, alguns assessores do Presidente são muito Conservadores e tem uma oposição radical e contrária a entrada e permanência de imigrantes (documentados ou indocumentados) no país.

 -Trabalhando todos os dias com vários casos de imigração qual o conselho que você daria para quem pensa em imigrar para os EUA?

Vir legalmente! Existem várias possibilidades de trabalho e estudo nos Estados Unidos. Porém, infelizmente, a falta de informação prevalece e muitos que poderiam hoje estar documentados, se tornam indocumentados por não perceber a gravidade da situação em que se colocam e que poderia ser evitada havendo um planejamento prévio e realista.


- Qual a saudade maior que você sente do Brasil?

Pinhão! Produto do Paraná e também do nosso sol. Vivo em New Jersey e os meses de calor são raros e passam muito rápido.

- Uma das experiências inesquecíveis que você já viveu aqui nos EUA ?

A possibilidade de ser a intérprete da Gloria Gaynor, uma das minhas cantoras dos tempos de juventude, no Hotel Plaza em Nova Iorque.

- Você tem planos de voltar a viver no Brasil?

Não. Estou esperando o mercado imobiliário brasileiro melhorar para vender minha casa em Curitiba e comprar outra em Lisboa. Pretendo viver nos Estados Unidos porém ter minha casa em Portugal, porta da Europa.

- Vivendo fora, qual a sua visão hoje do Brasil?

Prefiro não responder esta pergunta para não fazer comentários sem base. Pouco tenho ido ao Brasil nos últimos anos. Não tenho tempo nem desejo de assistir televisão brasileira, portanto qualquer comentário poderá ser mal interpretado e prefiro evitar discutir um assunto do qual não tenho suficiente informação ou base.

- Qual é o legado que você gostaria de deixar no futuro?

Gostaria muito que mais imigrantes (brasileiros, portugueses, hispânicos) não perdessem a memória e nem a identidade.

Que cuidassem de seus irmãos imigrantes e encontrassem maneiras de ajudar os que precisam. O trabalho voluntário é fundamental para uma sociedade mais humana e responsável. Eu criei um Curso de Cidadania (preparação para o Exame de Cidadania na Imigração) totalmente grátis (inclusive material) que ministro em meu escritório todas as Terças-Feiras. Este curso já ajudou centenas de pessoas a adquirirem a sonhada Cidadania Americana.

Se cada um de nós fizer um pouquinho, o mundo fica muito melhor.

Lembrando um dos meus pensamentos favoritos "O que nós fazemos para nós, morre conosco e o que nós fazemos pelos outros, permanece e é imortal"  Albert Pine.

Muito obrigada pela entrevista e desejo muito sucesso para você!

Fonte: By Arilda McClive