Publicado em 7/03/2018 as 11:00am

DACA: Prazo de Trump termina e jovens continuam com futuro incerto

O destino do programa que protege imigrantes que chegaram aos EUA quando eram crianças parece estar longe de ser resolvido.

DACA: Prazo de Trump termina e jovens continuam com futuro incerto A brasileira Bruna Bouhid espera que a questão seja resolvida.

Seis meses atrás, Antonio Jauregui, um colegial júnior em Fresno (Califórnia), que vive nos Estados Unidos desde que tinha cinco anos de vida, ouviu notícias que transformaria o seu mundo de cabeça para baixo. O Presidente Donald Trump anunciou o fim do DACA, programa criado na era Obama com o objetivo de proteger da deportação jovens imigrantes que chegaram aos Estados Unidos quando crianças e concedia autorização de trabalho por um período.

Em setembro passado, o presidente deu até o dia 5 de março deste ano para que os Congressistas encontrassem uma solução para o programa, caso contrário ele seria encerrado. Com a decisão, cerca de 800 mil imigrantes, conhecidos como “DREAMers” ficaram no limbo, sem saber o que os aguardavam para o futuro.

Jauregui, que disse que confiava no DACA para obter uma licença para trabalhar e com isso pagou pela sua educação e ajudou a sustentar a sua família.

"Aqui é onde eu pertenço", disse Jauregui, que foi nomeado para servir no conselho de segurança pública da cidade, mas perdeu a oportunidade após a rescisão do DACA. "Foi uma grande perda, porque trabalhei tanto para a minha comunidade... a comunidade que me criou".

O prazo dado por Trump, em setembro, expirou nesta terça-feira, dia 05, mas os congressistas não conseguiram chegar a um acordo sobre o futuro do programa. A única salvação do DACA foi que uma determinação judicial permitiu que os beneficiários pudessem aplicar ou renovar seus vistos por mais dois anos, enquanto uma decisão política não acontece.

Mas enquanto a inércia toma conta dos congressistas, “ainda há jovens imigrantes sendo detidos e deportados", segundo Jauregui.

A brasileira Bruna Bouhid, 26 anos, diretora de comunicação da organização United We DREAM, disse que o grupo realizou marchas, palestras, encontros e visitas aos congressistas. “Nós tomamos conta dos corredores do Congresso e das ruas de Washington DC”, disse ressaltando que “os manifestantes pediam apenas um simples projeto de lei que conserte o futuro dos milhares de jovens”.

Mas os legisladores consideraram impossível um acordo político. Os republicanos, seguindo a liderança de Trump, recusaram-se a aprovar o status legal para os DREAMers, a menos que o projeto siga paralelo à liberação do financiamento para a construção do muro e segurança na fronteira, cortes drásticos na imigração legal e intensifique a aplicação das leis de imigração, que os democratas geralmente se opõem.

"por enquanto estamos protegidos pela ordem judicial. Se pudermos renovar, nós vamos, mas isso é um curativo em uma questão muito maior", disse Bruna, que se mudou do Brasil para os EUA quando tinha sete anos.

Fonte: Redação - Brazilian Times

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