Publicado em 17/03/2018 as 12:00pm

Brasileira faz desabafo e diz que escola contribuiu para suicídio do filho

“Eles não quiseram deixar meu filho participar de todas as etapas de sua formatura e negaram-lhe o até o anel”, disse Ariane.

Ariane e o filho Dylan

Na noite de sexta-feira, dia 09, o jovem Dylan Bueno, 14 anos, foi encontrado morto na cidade de Newark (New Jersey). Ainda não ficou nada confirmado, mas amigos e pessoas ligadas próximas à família afirmaram, no Facebook, que o garoto tirou a própria vida.

A notícia espalhou-se rapidamente, pois a mãe do garoto, Ariane Ferreira Bueno, é moderadora do Ajuda Comunitária, um dos maiores grupos de Facebook que reúne brasileiros nos Estados Unidos.

O enterro vai acontecer nesta quarta-feira, dia 14, às 11:00am, no Holly Cross Cemetery, localizado na cidade de North Arlington (New Jersey). Uma campanha no site Go Fund Me foi aberta para levantar dinheiro e ajudar nos custos funerários. O objetivo era arrecadar a quantia de US$15 mil e em menos dois dias, foram arrecadados mais de US$20 mil.

Ainda bastante abalada com o ocorrido e usando a situação para fazer um alertar, Ariane fez um desabafo nas redes sociais. Ela escreveu: “A depressão mata. Meu filho sempre foi alegre, brincalhão, o palhaço da turma. Isso ele herdou de mim. Mas havia algo dentro dele que não estava bem. Algo que eu não consegui tirar. Sempre conversei com ele sobre tudo. Nunca escondi nada dele. Mas ele escondeu de mim, essa depressão que eu não sei por onde começou, nem porquê. Ele teve muitos problemas nessa escola, não por nota, pois ele fazia provas sem estudar e tinha notas altas. Ele era muito inteligente. Mas a escola queria ele um robô, não pode conversar, não pode brincar, não pode fazer os outros rirem. Eles queriam me obrigar a dar remédio pra ele, remédio esse que não seria para um tratamento de ADHD (Transtorno de déficit de atenção) e sim para deixá-lo focado, um robô, um zumbi. Remédio que o deixava sem dormir, sem comer, sem sorrir. E eu me neguei. Essa escola fez muita pressão em cima do meu menino, coisa que eu nunca fiz. Eu sempre falei pra ele: filho, você não precisa ser a estrelinha da classe. Pra mim me basta você ter notas e passar de ano”.

Ariane explica que não culpa a escola pelo que aconteceu com o seu filho, mas afirma que ela contribuiu para o garoto se tornar infeliz. “Eu quis mudá-lo daqui, mas ele não queria pois cresceu com seus amigos, e ia graduar-se com eles. A gota d’água foi terem tirado o prazer dele receber o anel da graduação. Sabem por que? Porque ele não se comportou! Ele foi discriminado e deixado de lado, vendo seus amigos receberem o anel e ele não”, continua.

Ela ainda denuncia que uma semana antes da morte do filho, a direção da escola lhe informou que ele poderia não fazer a caminhada de graduação, receber o diploma e o livro. “Regras da escola?”, indaga a brasileira acrescentando que a resposta é “sim, pois as crianças precisam ser perfeitas para manter o nível no alto e uma boa imagem da escola”.

A brasileira destaca que o filho “era lindo, perfeito, amado, inteligente e querido por todos”.

A MORTE E O ALERTA

Como menino era querido por todos e as pessoas procuravam Ariane para saber como ele morreu, a brasileira decidiu contar e ao mesmo tempo fazer um alerta para os pais. Segundo ela, Dylan tirou a própria vida em casa, enquanto a brasileira estava na cozinha, fazendo comida. “Eu o encontrei e, junto com meu marido, tentamos reanimá-lo, desesperadamente, incansavelmente, mas ele já tinha partido”, disse. “O meu bebê que eu criei, cuidei de cada arranhão, levei à escola enrolado no cobertor pra não sentir frio, ia no recreio da escola olhar por ele, dei castigo quando precisou, mas não durava muito tempo porque ele sempre me convencia com aquela carinha linda”, continuou.

Ariane termina seu desabafo: “Todas vocês, mães e pais, conversem com seus filhos, contém a minha triste história. Perguntem para elas se sabem de algum amiguinho que esteja triste e você, jovem, contem com seus pais e se estiverem tristes, se abram com seus pais”.

Ariane disse que não se poderia ter evitado essa tragédia em sua vida, mas afirma que tentei ser uma boa mãe pra o seu filho. “Não sou perfeita, mas eu tentei e eu vou continuar tentando com Henry (outro filho), apesar de agora eu não ter forças. Mas Deus e todos vocês, um a um, que passaram na minha casa, estão me ajudando. Cada amiguinho do Dylan que me abraçou, eu senti um pouquinho do meu filho neles”, fala.

“Não julguem meu filho. Ele era uma criança e eu sei que Deus já o recebeu. Eu sei que ele agora está em paz, onde poderá sorrir e vai cuidar de mim, lá do céu. Ele já tem muitos anjinhos em volta dele”, finaliza.

Fonte: Redação - Brazilian Times

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