Publicado em 6/04/2018 as 2:00pm

Brasileiro ganha bolsa do Guggenheim Memorial Foundation e vai retratar jovens indocumentados

Felipe Salles é professor de jazz, composição e saxofone na Universidade de Massachusetts em Amherst.

Brasileiro ganha bolsa do Guggenheim Memorial Foundation e vai retratar jovens indocumentados Felipe Salles é professor de jazz.

Felipe Salles, professor associado de estudos de jazz, composição e saxofone na Universidade de Massachusetts em Amherst, foi selecionado para receber uma bolsa do John Simon Guggenheim Memorial Foundation.

Salles é um dos 173 acadêmicos, artistas e cientistas nos Estados Unidos e no Canadá a serem escolhidos em um grupo de quase 3.000 candidatos com base em “realizações anteriores e promessas excepcionais”, de acordo com a fundação.

Ele planeja usar o prêmio para criar um novo trabalho de uma orquestra de jazz intitulado "Sonhadores: A Nova Experiência Imigrante", inspirado pela situação daqueles que chegaram ao país quando eram crianças e buscam proteção sob o Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA).

"Este prêmio é um enorme apoio à minha visão artística e para as novas direções que eu quero levar a minha música", disse Salles. “Sem esse tipo de suporte, um projeto multimídia para vídeo e um grande conjunto de jazz como o meu não poderia ser possível. Palavras não podem expressar o quanto sou honrado e grato por receber este suporte".

O presidente da Fundação, Edward Hirsch, disse: “Todos os anos, desde 1925, a Guggenheim Foundation aposta tudo no indivíduo, e estamos entusiasmados por continuar a fazê-lo com esse grupo maravilhosamente talentoso e diversificado”.

O novo trabalho, que contará com um vídeo documentário e imagens estáticas, usará a fala como sua principal fonte de material musical para representar a aquisição de linguagem que os chamados DREAMers experimentaram como parte de sua adaptação cultural. Salles planeja usar sete idiomas e cinco dialetos na composição, representando os maiores grupos linguísticos da comunidade DREAMer. Cada grupo representado no trabalho servirá como fonte de frases, cadências e padrões melódicos e rítmicos.

Nascido em São Paulo, Salles é saxofonista e compositor, cujo trabalho reúne influências musicais de sua terra natal. Ele teve trabalhos executados pela Metropole Orchestra, Cayuga Chamber Orchestra, Helsinki Philharmonic Violas, Meta4 String Quartet, Arno Bornkamp, Manhattan School of Music Jazz Orchestra, Manhattan School of Music Jazz Philharmonic Orchestra, New England Conservatory Jazz Orchestra and Wind Ensemble, UMass Amherst Wind Ensemble, entre outros.

Músico ativo nos EUA desde 1995, Salles trabalhou e gravou com artistas de jazz proeminentes como Randy Brecker, David Liebman, Lionel Loueke, Jerry Bergonzi, Chico Pinheiro, Jovino Santos Neto, Oscar Stagnaro, Duduka Da Fonseca, Maucha Adnet e Tony Lujan, Luciana Souza e Bob Moses.

Salles atualmente lidera tanto o The Felipe Salles Group e The Felipe Salles Group and Felipe Salles’ Interconnections Ensemble, e também trabalha como membro do New World Jazz Composers Octet, Kyle Saulnier's Awakening Orchestra, Alex Alvear's Mango Blue.

Os bolsistas do Guggenheim deste ano, que tem entre 29 a 80 anos, representam 49 disciplinas, 69 instituições acadêmicas, 31 estados e três províncias canadenses.

Desde 1925, a Fundação Guggenheim concedeu mais de US $ 360 milhões em bolsas a mais de 18.000 indivíduos, entre os quais vários ganhadores de prêmios Nobel e poetas, bem como ganhadores dos prêmios Pulitzer, medalhas Fields e outros prêmios reconhecidos internacionalmente.

Fonte: Redação - Brazilian Times