Publicado em 14/05/2018 as 4:00pm

Do sucesso à falência, caçula das J.Sisters tenta se reerguer nos EUA

Salão das sete irmãs capixabas chegou a atender clientes famosas, como as atrizes Cameron Diaz, Gwyneth Paltrow, mas fechou as portas em Nova York.

Do sucesso à falência, caçula das J.Sisters tenta se reerguer nos EUA As irmas Jocely, Janea, Joyce, Juracy, Jussara, Judseia e Jonice do salao J Sisters foram as responsaveis por popularizar a depilacao intima com cera quente nos Estados Unidos.

A brazilian wax, depilação íntima brasileira com cera quente, chegou a New York, pelas mãos de sete capixabas, mais conhecidas como as J.Sisters – referência à primeira letra do nome das irmãs Jocely, Janea, Joyce, Juracy, Jussara, Judseia e Jonice. O salão se tornou um fenômeno, com direito a clientes famosas, como as atrizes Cameron Diaz, Gwyneth Paltrow e Kate Winslet. Trinta anos depois, entretanto, o salão acumula dívidas de mais de 1 milhão de dólares e entrou em processo de falência.

Mas o sonho do american way of life ainda está vivo e longe de acabar, se depender da caçula das irmãs, Jonice Padilha, de 57 anos. Após declarar falência, ela diz querer quitar as dívidas do salão – a maioria referente a multas ao levar brasileiros sem documentação ao país norte-americano –, fechar a empresa e abrir uma nova, mas com o mesmo nome.

“Minha irmã (Joceli, a primeira a ir para os EUA) é uma pessoa maravilhosa, foi minha mãe. Não posso falar que ela errou, ela usou amor, assumiu trazer pessoas ilegalmente e então o pote encheu. O governo daqui não perdoa”, contou Jonice.

Além da má administração, o salão sofreu com outros problemas. Em 2014, uma modelo brasileira entrou com uma ação judicial contra o salão alegando que perdeu os cabelos em um tratamento realizado no local. O problema fez com que ela perdesse contratos de trabalho, o que a teria deixado em depressão.

De agora em diante, segundo Jonice, a ideia é não envolver a família nos negócios. “Eu estou em uma idade em que jamais vou usar a palavra nunca. A vida é um círculo, a gente nunca diz que não vai fazer porque a vida te coloca em situações difíceis. Mas, no momento, eu quero ir só, não ter muita coisa com família, não quero olhar para trás”.

Enquanto não fecha a empresa, a brasileira vai revendo gastos: trocou o endereço do salão, que ficava entre a 5ª e 6ª Avenida, com aluguel de 130.000 dólares mensais para dividir um outro imóvel com uma amiga – este localizado entre a 5ª Avenida e a Madison, pelo qual não pagará nada de início.

“Do meu endereço antigo para este, a diferença de status é mil, não é cem. Mas eu estou amando essa nova fase, é a primeira vez que estou só. Nunca tive a oportunidade de realizar as minhas ideias, é o que eu estou fazendo agora”, disse ela em uma entrevista para a VEJA.

Como está o seu relacionamento com suas irmãs, que não estão envolvidas no novo projeto?

Elas estão batendo palmas para mim, é como se eu estivesse em um palco e elas estivessem lá embaixo observando e dizendo: “Jonice, está lindo, está lindo”. Eu não tive nenhuma briga com elas. A Joceli pensou só em família, ajudou todo mundo e eu falo para ela: “o que você fez é lindo, mas a companhia não aguentou”. A empresa era muito pequena para a quantidade de família, então essa é a minha vez. Eu tenho um bebê, que é a minha empresa e eu vou ter que cuidar dele até que me sustente. Agora, eu tenho que dar tudo de mim e minhas irmãs entendem.

Elas estão ajudando a quitar as dívidas do J.Sisters?

Eu tenho coisas, imóveis, a Joceli também. Então a convenci a vendê-las para pagar as contas. Assim, consigo seguir em frente com a nova companhia. Foi nesta época que liguei para uma amiga e ela sugeriu que eu mudasse o J.Sisterspara o endereço dela. Ela me disse: “fica aqui um tempo, conserta o que tem para consertar e volta porque eu sei que você vai conseguir”. Agora, eu não estou pagando aluguel, não pago nada. Isso me dá o consolo e o prazer de saber que tenho amigos.

Minhas outras irmãs estão participando. Se não entram com dinheiro, fazem o que podem para ajudar. Não tenho nenhum problema com elas, nem com as mães das sobrinhas que saíram.

Por que vocês acumularam uma dívida tão grande?

Estamos pagando uma multa muito alta, de 1 milhão de dólares, sem contar os juros, só das pessoas ilegais. Minha irmã deu emprego para muita gente, de coração. Lá na frente, essas pessoas falaram que trabalharam ilegalmente noJ.Sisters.

O problema com o aluguel foi no final, quando o pote já estava cheio. Chegou a um ponto que eu falei: “vamos fechar porque vai dar uma chance para eu me refazer”. Nunca vou pisar na minha irmã para me engrandecer, vou usar os erros dela do passado para aprender.

Fonte: Redação - Brazilian Times