O agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE), Mario Alberto Morales, de 33 anos, que também atua como pastor cristão, compareceu à Justiça nesta segunda-feira (2), em Houston, no Texas, após ser acusado de atropelar um imigrante mexicano durante uma operação de fiscalização migratória. O caso aconteceu em 10 de outubro e ganhou repercussão após a divulgação de imagens que mostram o momento da ocorrência.
A vítima foi identificada como Miguel Parra Hernández, de 48 anos. Segundo a acusação, o imigrante tentava fugir a pé quando Morales, dirigindo um veículo utilitário esportivo (SUV), avançou em sua direção e passou sobre suas pernas. O impacto provocou uma fratura grave, e Hernández permanece sob custódia federal enquanto se recupera dos ferimentos.
As imagens registradas por câmeras de segurança e pela câmera corporal utilizada pelo próprio agente são consideradas elementos importantes da investigação. De acordo com os promotores, as gravações mostram Morales direcionando o veículo contra o imigrante, circunstância que fundamentou a acusação de agressão agravada com arma letal (aggravated assault with a deadly weapon). Nesse caso, o automóvel foi considerado a arma utilizada na suposta agressão.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a versão apresentada pelo agente durante uma ligação para o serviço de emergência. Segundo as informações divulgadas, Morales afirmou que o imigrante havia atingido seu veículo e minimizou a gravidade dos ferimentos. A declaração passou a ser confrontada com as imagens obtidas pelas autoridades.
A operação também apresenta uma circunstância incomum: Miguel Parra Hernández não era o alvo procurado pelos agentes federais. Segundo familiares ouvidos pelo jornal The New York Times, o ICE buscava outro homem que teria morrido há quase dez anos. A informação levantou questionamentos sobre a identificação do alvo e as circunstâncias que levaram à abordagem.
A defesa de Mario Alberto Morales contesta a interpretação apresentada pela acusação. Seu advogado confirmou que o agente também exerce atividades como pastor cristão e sustenta que o atropelamento foi acidental, negando que Morales tenha utilizado deliberadamente o veículo para atingir o imigrante.
Durante a audiência realizada nesta segunda-feira, a Justiça estabeleceu uma fiança de US$ 30 mil para o agente. Morales responderá à acusação de agressão agravada com arma letal, enquanto o processo segue em tramitação.
O episódio reacende o debate sobre o uso da força por agentes federais durante operações de imigração nos Estados Unidos, especialmente em situações envolvendo pessoas que tentam fugir de abordagens policiais.
Até o momento, não foram informadas eventuais medidas administrativas adotadas pelo ICE em relação ao agente, nem detalhes sobre a situação migratória e o futuro de Hernández após sua recuperação.
Morales ainda não foi condenado e tem direito à presunção de inocência. A Justiça deverá avaliar as provas apresentadas pela acusação e os argumentos da defesa para determinar sua responsabilidade criminal.





