A brasileira Rebecca Fadanelli, de 40 anos, proprietária de uma clínica de estética em Massachusetts, foi condenada a 46 meses de prisão federal por realizar milhares de procedimentos estéticos utilizando Botox e preenchimentos falsificados importados da China e do Brasil.
A sentença foi determinada no dia 2 de setembro pela juíza federal Julia E. Kobick, em Boston. Além do período de prisão, Rebecca deverá cumprir dois anos de liberdade supervisionada e foi condenada a pagar US$ 1.001.562 em restituição. A Justiça também determinou o confisco de outros US$ 1.001.562.
Rebecca era proprietária da Skin Beaute Med Spa, que mantinha unidades em Randolph e South Easton, Massachusetts.
Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), a brasileira era esteticista e não possuía licença para realizar injeções ou administrar medicamentos e dispositivos sujeitos a prescrição. Mesmo assim, teria afirmado a clientes e funcionários que era enfermeira.
As autoridades afirmam que, a partir de pelo menos março de 2021, Rebecca passou a oferecer aplicações de toxina botulínica e preenchimentos dérmicos.
Aos clientes, ela dizia utilizar produtos autênticos, incluindo Botox, Sculptra, Restylane e Juvéderm. As investigações, entretanto, concluíram que os produtos utilizados eram falsificados e que muitos deles haviam sido importados da China e do Brasil.
Segundo o DOJ, não há registro de que Rebecca tenha comprado medicamentos ou dispositivos autênticos diretamente dos fabricantes dos produtos aprovados pela Food and Drug Administration (FDA).
Mais de 2.700 procedimentos
Os números apresentados pela investigação federal mostram a dimensão do caso.
Entre aproximadamente março de 2021 e junho de 2024, Rebecca realizou mais de 2.700 procedimentos envolvendo toxina botulínica e preenchimentos dérmicos falsificados, segundo registros comerciais analisados pelas autoridades.
Mais de 900 clientes pagaram, juntos, mais de US$ 1 milhão pelos procedimentos.
O caso se tornou ainda mais grave após relatos de problemas de saúde entre clientes.
De acordo com o Departamento de Justiça, vítimas apresentaram inchaço severo, infecções, queda ou paralisia facial e dos olhos, visão dupla, comprometimento da visão e nódulos endurecidos sob a pele. Algumas precisaram ser hospitalizadas e buscar tratamentos adicionais com profissionais devidamente licenciados.
Uma cliente permaneceu hospitalizada durante semanas depois de desenvolver forte inchaço facial, dores de cabeça, fraqueza e sintomas semelhantes aos de febre.
Outra ficou internada durante quatro dias após apresentar paralisia facial, visão dupla e dores de cabeça. Uma terceira teve problemas de visão por aproximadamente três meses. Houve ainda uma vítima que precisou passar por cirurgia corretiva para retirar um nódulo e ficou com cicatriz.
Produtos vindos do Brasil e da China
A investigação identificou remessas internacionais dos produtos utilizados pela empresária.
As autoridades afirmam que, mesmo depois de agentes federais começarem a interceptar encomendas internacionais e notificarem Rebecca de que determinados produtos não eram aprovados e estavam rotulados irregularmente, ela teria continuado com as atividades.
Segundo o DOJ, Rebecca chegou a orientar fornecedores a utilizar outros endereços e nomes de terceiros nas encomendas, numa tentativa de evitar novas apreensões.
Em junho de 2024, agentes realizaram buscas nas duas unidades da Skin Beaute. Produtos identificados pelos fabricantes como versões falsificadas de Botox, Sculptra, Restylane e Juvéderm foram encontrados.
Os investigadores também apreenderam água bacteriostática utilizada para diluir Botox. Análises laboratoriais encontraram Methylobacterium, bactéria capaz de provocar infecções.
Continuou fazendo aplicações após intervenção federal
Mesmo após as apreensões e intervenções das autoridades, Rebecca continuou realizando procedimentos, segundo o governo federal.
Ela foi presa em 1º de novembro de 2024.
O DOJ revelou ainda que, em maio de 2025, quando estava em liberdade provisória, Rebecca realizou em sua própria residência outro procedimento utilizando uma substância desconhecida que a cliente acreditava ser Sculptra.
Posteriormente, sua liberdade provisória foi revogada. Ela permanece sob custódia desde novembro de 2025.
Em abril deste ano, Rebecca decidiu se declarar culpada de oito acusações federais: quatro por importação de mercadorias em desacordo com a lei, duas relacionadas à venda ou distribuição de medicamento falsificado e outras duas envolvendo dispositivo falsificado.
Ao anunciar a sentença, a procuradora federal Leah B. Foley afirmou que a conduta não representou um episódio isolado e destacou os danos sofridos pelas vítimas.
O caso foi investigado com participação da FDA, U.S. Customs and Border Protection (CBP), Procuradoria-Geral de Massachusetts e departamentos de polícia de Stoughton e Randolph.
Com a sentença, Rebecca Fadanelli deverá cumprir quase quatro anos em uma prisão federal, além de responder financeiramente pelos prejuízos provocados às vítimas de um esquema que, segundo as autoridades, movimentou mais de US$ 1 milhão e colocou centenas de clientes em risco.





