O brasileiro Alex Pereira Alves, morador de West Hollywood, na Califórnia, há quase uma década, completa sete semanas sob custódia migratória enquanto enfrenta um complexo impasse jurídico. Embora queira deixar os Estados Unidos e retornar voluntariamente ao Brasil, uma proteção concedida pela Justiça em 2018 impede que ele seja deportado para o país. Ao mesmo tempo, Alex luta para não ser enviado à Guiné Equatorial, na África, país com o qual afirma não possuir qualquer vínculo.
Alex está detido no Adelanto Detention Center desde que compareceu, em 11 de agosto, a uma unidade do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), no centro de Los Angeles, para uma checagem migratória.
Em entrevista por videochamada à ABC7 Eyewitness News, concedida quando estava no 34º dia de detenção, o brasileiro descreveu a sensação de permanecer preso e afastado do mundo exterior. “Eu me sinto preso”, afirmou.
Segundo Alex, durante o comparecimento ao ICE, um agente informou que ele poderia ser deportado sob a atual administração. O brasileiro então teria se oferecido para comprar a própria passagem e retornar ao Brasil.
“Eu disse: ‘Posso simplesmente comprar minha passagem, ir embora e voltar para o Brasil, meu país’. Ele disse: ‘Não, agora temos que processá-lo pelo sistema’. Então me algemaram, e o resto é história”, relatou.
A situação se tornou ainda mais complicada quando surgiu a possibilidade de Alex ser rapidamente removido para a Guiné Equatorial. Sua advogada de imigração, Jane Oak, recorreu à Justiça e conseguiu uma medida que bloqueou temporariamente a deportação.
“Eu acredito que essa liminar foi o que impediu que ele fosse removido para a Guiné Equatorial”, explicou a advogada.
De acordo com Oak, Alex vive e trabalha legalmente em West Hollywood desde 2018. Naquele ano, um juiz concedeu a ele uma proteção conhecida como withholding of removal, que impediu sua deportação para o Brasil desde que permanecesse em situação regular e cumprisse as condições estabelecidas. Segundo a defesa, ele cumpriu essas exigências.
Agora, porém, a mesma proteção que permitiu sua permanência nos Estados Unidos criou um impasse: Alex não pode ser removido para o Brasil por causa da ordem judicial, não aceita ser enviado para a Guiné Equatorial e, segundo sua advogada, também não consegue indicar um terceiro país nem obter a libertação da custódia.
“Ele não pode ser removido para o Brasil porque o withholding of removal impede isso. Ele não quer ir para a Guiné Equatorial, não pode indicar um terceiro país e também não pode ser libertado da detenção”, afirmou Oak.
Enquanto o processo continua, amigos de Alex dizem estar gastando milhares de dólares com telefonemas e despesas jurídicas. Jeff Markwardt, amigo do brasileiro, também questionou o custo da manutenção da detenção para os contribuintes e destacou que muitos imigrantes presos não possuem uma rede de apoio capaz de financiar advogados e outras despesas.
Alex permanece no Adelanto Detention Center enquanto sua defesa tenta encontrar uma saída em meio a um sistema migratório e judicial que, segundo a advogada, está sobrecarregado e passando por mudanças constantes.
“Eu realmente não me sinto seguro. Provavelmente só vou me sentir seguro quando chegar ao meu país”, declarou o brasileiro.
No mês passado, ao confirmar a detenção e o processo de deportação de Alex, um porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que a detenção seria uma escolha e incentivou pessoas sujeitas à remoção a deixarem voluntariamente os Estados Unidos. Alex, entretanto, afirma que justamente ofereceu essa alternativa ao dizer que compraria sua passagem para o Brasil, mas que a opção não foi aceita e ele acabou colocado sob custódia.





