Depois de passar dez meses sob custódia federal de imigração nos Estados Unidos, o brasileiro Marcos Gaspar da Silva finalmente reencontrou a família. Ele chegou ao Maine na noite de domingo, onde foi recebido por parentes no aeroporto, encerrando um longo período de separação marcado, segundo a família, por condições difíceis nos centros de detenção.
Nascido no Brasil, Marcos foi detido por agentes do Departamento de Segurança Interna (DHS) há cerca de dez meses. Ele e a esposa, Alessia da Silva, afirmam que, antes da prisão, o brasileiro havia trabalhado legalmente nos Estados Unidos durante cinco anos.
A libertação ocorreu depois que um juiz de imigração decidiu a favor de Marcos em 13 de agosto. Segundo o brasileiro, sua situação migratória atualmente permite que ele resida e trabalhe legalmente no país. “Agora, legalmente, sou residente”, afirmou.
Apesar da alegria do reencontro, Marcos disse que ainda enfrenta as consequências emocionais dos meses de confinamento. “Eu não me sinto feliz. Sei que é bom estar em casa”, declarou.
Durante o período em custódia, Marcos passou por diferentes instalações, incluindo cerca de uma semana no centro de detenção de imigração AROCC, em Mesa, no Arizona. Ele relatou ter presenciado celas superlotadas, áreas com dejetos humanos no chão e problemas relacionados à qualidade da comida e da água.
Alessia afirma que o marido perdeu aproximadamente 26 libras — cerca de 12 quilos — durante os dez meses de detenção.
O Departamento de Segurança Interna, entretanto, contestou as acusações. Em declaração à emissora ABC15, um porta-voz afirmou que o casal estaria exagerando e negou que as condições nas instalações sejam como as descritas pelo brasileiro.
Para Alessia, porém, os problemas enfrentados pelo marido foram além das condições físicas. Ela afirma que o tratamento recebido e a assistência médica também contribuíram para o desgaste psicológico.
Segundo a esposa, Marcos ainda demonstra sinais do impacto emocional da experiência, inclusive por ter deixado para trás outros imigrantes que continuam detidos enquanto aguardam uma definição sobre seus processos.
A situação ocorre em meio a discussões sobre o tempo de permanência de imigrantes em instalações de curta duração. O congressista democrata do Arizona Greg Stanton reapresentou recentemente uma proposta para limitar a sete dias o período de detenção do ICE nesse tipo de unidade. O gabinete do parlamentar informou que ele visitou o AROCC na sexta-feira.
Mesmo após a decisão judicial, a família afirma que ainda enfrenta desafios para reconstruir a rotina. Marcos e Alessia dizem que precisam substituir ferramentas de trabalho e botas que teriam desaparecido durante o período de detenção.
A esposa também afirma que ainda existe insegurança sobre possíveis novos contatos com agentes de imigração. Embora a família diga que a documentação migratória de Marcos está regularizada e que ele está autorizado a trabalhar e residir legalmente nos Estados Unidos, o brasileiro ainda não recebeu fisicamente o green card.
Depois de dez meses longe de casa, Marcos agora tenta retomar a vida ao lado da família no Maine e superar as consequências físicas e emocionais do período em detenção.





