O sonho de disputar o Mr. Olympia 2026 terminou antes mesmo da subida ao palco para vários fisiculturistas brasileiros. Apesar de conquistarem suas vagas dentro das regras esportivas, atletas como Ângelo Marques, Johnne Sousa e Livingstone “Livinho” não conseguiram autorização para entrar nos Estados Unidos a tempo da competição, realizada em Las Vegas.
Para Ângelo Marques, da categoria Classic Physique, a frustração é ainda maior porque esta é a segunda vez consecutiva que o problema acontece. Classificado também em 2025, ele não conseguiu competir naquele ano após ter o visto negado.
“Está mais difícil para mim tirar o visto do que conquistar a vaga. Tinha que ser o contrário”, desabafou.
O brasileiro teve o visto de turismo negado duas vezes e está há mais de seis meses tentando obter um visto de atleta. O processo, iniciado em janeiro, não avançou a tempo. Mesmo sem a garantia de entrada nos Estados Unidos, Ângelo continuou competindo, terminou entre os 25 melhores do ranking classificatório mundial da Classic Physique e garantiu novamente seu lugar no Olympia.
Ele chegou a reservar hospedagem em Las Vegas e deixou as malas prontas para viajar. A autorização, porém, não chegou.
“É meu sonho, é o ápice de onde o atleta pode chegar, o maior campeonato do mundo”, afirmou Ângelo, que agora espera resolver a situação para tentar disputar a edição de 2027.
Outros brasileiros enfrentam o mesmo problema
Johnne Sousa, conhecido como Jhonninho, também teve o visto negado duas vezes. Após recursos, conseguiu uma autorização provisória, mas a resposta definitiva aconteceu somente no dia 23, data da pesagem da Classic Physique, inviabilizando sua chegada a tempo da competição.
Livingstone “Livinho” enfrentou situação semelhante pelo segundo ano consecutivo. O atleta chegou a ter cinco pedidos de visto B1/B2 negados. Neste ano, depois de vencer o Arnold Classic Brasil, em abril, e o Musclecontest Brazil, em julho, voltou a garantir classificação para o Olympia.
Na tentativa de obter um visto de atleta, Livinho preparou um processo com mais de 500 páginas. Apesar de ter conseguido avançar na solicitação, o documento não ficou pronto a tempo.
“Eu fiz tudo que estava ao meu alcance, não deixei nada para trás. Eu tinha certeza absoluta que estaria no Olympia deste ano, mas infelizmente acontecem algumas coisas que fogem do nosso alcance”, declarou.
Sem Ângelo, Jhonninho e Livinho, o Brasil teve quatro representantes na Classic Physique, entre eles Ramon Dino.
Problema atinge outras categorias
As dificuldades com vistos não ficaram restritas à Classic Physique. Beatriz Almeida e Saionara Rebelo, classificadas na categoria Figure, também não participaram do Mr. Olympia após terem os pedidos negados. Com as ausências, o Brasil ficou sem representantes na divisão.
Na Wellness, Josy Alves, uma das 23 brasileiras classificadas, também ficou fora porque seu visto não foi aprovado.
O problema ultrapassa as fronteiras brasileiras. O iraniano Hadi Choopan, campeão do Mr. Olympia em 2022, também não participou da edição de 2026 após enfrentar dificuldades para conseguir o visto norte-americano.
Para os brasileiros impedidos de viajar, fica uma situação particularmente frustrante: conquistar uma vaga no maior palco do fisiculturismo mundial não foi suficiente. Depois de vencerem a batalha esportiva pela classificação, eles esbarraram em uma barreira fora dos palcos — a autorização para entrar nos Estados Unidos.





