O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) afirmou que o ex-deputado federal Alexandre Ramagem está em situação migratória irregular e responde a um processo de deportação. A informação foi prestada ao Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) e divulgada pela Agência Pública.
Segundo o órgão americano, Ramagem entrou legalmente nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2025, com autorização para permanecer por seis meses. O departamento sustenta que o ex-parlamentar continuou no país depois do encerramento desse prazo.
A manifestação contrasta com declarações de aliados do brasileiro, que apontavam o pedido de asilo como fundamento para sua permanência nos Estados Unidos. Conforme o posicionamento atribuído ao DHS, apresentar uma solicitação de asilo não concede, por si só, status migratório legal nem impede automaticamente uma detenção ou a abertura de um processo de deportação.
Prisão e soltura em Orlando
Ramagem foi detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em Orlando, na Flórida, em 13 de abril deste ano. Dois dias depois, foi liberado.
Na ocasião, o comentarista Paulo Figueiredo, aliado do ex-parlamentar, afirmou que Ramagem tinha um pedido de asilo pendente e apresentou sua situação como uma questão migratória. A soltura, entretanto, não representou o encerramento do procedimento nem uma decisão favorável sobre o pedido de proteção.
O posicionamento divulgado pelo DHS indica que o ex-deputado continua sujeito às medidas previstas na legislação migratória americana. A existência do processo não significa que sua deportação já tenha sido determinada em caráter definitivo.
Pedido de extradição e condenação no Brasil
Além da questão migratória, Ramagem é alvo de um pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro às autoridades americanas em dezembro de 2025. O procedimento é distinto do processo de deportação conduzido nos Estados Unidos.
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro, Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 16 anos de prisão por participação na trama golpista. Ele nega ter cometido crimes.
Segundo as autoridades brasileiras, o ex-parlamentar deixou o Brasil pela fronteira com a Guiana antes de seguir para os Estados Unidos. Considerado foragido da Justiça brasileira, ele permanece em território americano enquanto sua situação é analisada pelas autoridades locais.





