Brasileiros que pretendem viajar para os Estados Unidos acompanhados de seus cães precisam ficar atentos às exigências sanitárias estabelecidas pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Uma atualização da relação de aeroportos americanos que possuem instalações autorizadas para receber determinados animais reforça a importância do planejamento antecipado, especialmente para quem embarca do Brasil.
O Brasil é classificado pelas autoridades sanitárias americanas como um país de alto risco para a raiva canina. Por esse motivo, cães que receberam a vacinação antirrábica em território brasileiro e estiveram em países considerados de alto risco nos seis meses anteriores à viagem estão sujeitos a procedimentos específicos para entrar nos Estados Unidos.
As exigências fazem parte das regras de importação de cães adotadas pelo CDC em agosto de 2024. Portanto, a atualização da relação de aeroportos não representa, por si só, a criação de uma nova proibição ou de uma obrigação geral para todos os animais que viajam aos Estados Unidos.
De acordo com a relação divulgada pelo CDC, existem instalações de cuidados de animais registradas pelo órgão, conhecidas como CDC-registered Animal Care Facilities, associadas a oito aeroportos internacionais americanos.
As unidades estão localizadas nos aeroportos de Atlanta, Dallas/Fort Worth, Los Angeles, Miami, Nova York (JFK), Filadélfia, Seattle-Tacoma e Washington Dulles, na região de Washington, D.C.
Essas instalações são utilizadas para receber cães que precisam cumprir procedimentos sanitários específicos, incluindo verificação de documentos, avaliação veterinária e, quando necessário, vacinação adicional e quarentena.
Para os animais vacinados fora dos Estados Unidos que estiveram em países de alto risco, é necessário realizar uma reserva antecipada em uma dessas instalações. O desembarque deve ocorrer no aeroporto associado à unidade reservada.
Entretanto, nem todos os cães provenientes do Brasil estão obrigados a utilizar essas instalações. As condições de entrada dependem, entre outros fatores, do histórico de vacinação e dos países visitados pelo animal nos seis meses anteriores à chegada aos Estados Unidos.
Quarentena pode chegar a 28 dias
Uma das principais preocupações para os tutores é a possibilidade de quarentena.
Segundo as regras do CDC, cães vacinados fora dos Estados Unidos que tenham estado em países de alto risco e não apresentem um resultado válido de exame sorológico antirrábico podem precisar permanecer em quarentena por 28 dias em uma instalação registrada.
O exame sorológico permite verificar se o animal desenvolveu uma resposta imunológica adequada após a vacinação contra a raiva. Quando realizado de acordo com as exigências americanas e acompanhado da documentação necessária, pode evitar a quarentena prolongada.
Mesmo os animais que apresentam documentação válida estão sujeitos aos procedimentos de avaliação previstos para sua categoria de entrada.
Além do tempo de permanência, os tutores precisam considerar os custos dos serviços prestados pelas instalações, que podem incluir exames, vacinação, hospedagem e acompanhamento veterinário.
Documentação precisa ser preparada antes da viagem
Para os cães enquadrados nas exigências aplicáveis a animais vacinados fora dos Estados Unidos e provenientes de países de alto risco, o CDC estabelece condições que devem ser observadas antes do embarque.
Entre elas estão a identificação por microchip, a vacinação antirrábica válida, a documentação veterinária exigida e a apresentação do formulário de importação de cães do CDC.
O animal também deve ter pelo menos seis meses de idade e estar aparentemente saudável no momento da chegada ao país.
Dependendo do histórico do cachorro, poderá ser necessária a apresentação de certificação específica da vacinação antirrábica e do microchip, além de exame sorológico realizado por laboratório aprovado.
Os documentos precisam respeitar os critérios e prazos determinados pelas autoridades americanas. Por isso, a orientação é iniciar os preparativos com antecedência, evitando problemas que possam impedir o embarque.
Atenção à compra de passagens aéreas
Outro cuidado importante envolve a escolha do aeroporto de chegada e da companhia aérea responsável pelo transporte.
Embora oito aeroportos estejam associados a instalações registradas pelo CDC, isso não significa que todas as unidades aceitem qualquer modalidade de transporte de animais.
As condições podem variar conforme o aeroporto, a instalação e a companhia aérea, especialmente nos casos de cães transportados na cabine, como bagagem despachada ou por serviço de carga.
Por esse motivo, os viajantes devem confirmar a disponibilidade de atendimento na instalação correspondente antes de comprar a passagem.
Além das exigências americanas, também devem ser observadas as normas brasileiras para viagens internacionais com animais, incluindo a documentação sanitária emitida ou validada conforme os procedimentos do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Orientação é consultar fontes oficiais
O CDC recomenda que os responsáveis verifiquem as regras aplicáveis a cada animal antes de organizar a viagem. O histórico de permanência em países de alto risco e o local onde a vacina antirrábica foi aplicada são fatores fundamentais para determinar os procedimentos necessários.
Também é importante consultar as orientações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA/APHIS), do MAPA e da companhia aérea escolhida.
A atualização da lista de aeroportos não significa que os Estados Unidos tenham proibido a entrada de cães brasileiros. Os animais continuam podendo ingressar no país, desde que atendam às condições sanitárias estabelecidas para sua situação.
Para brasileiros que pretendem se mudar, visitar familiares ou passar férias nos Estados Unidos acompanhados de seus animais de estimação, o planejamento antecipado é a principal maneira de evitar despesas inesperadas, atrasos e a possibilidade de ter o embarque ou a entrada do cachorro recusados.
Segundo a documentação oficial do CDC, os animais vacinados fora dos Estados Unidos que estiveram em países de alto risco também devem passar por avaliação veterinária e receber uma nova dose de vacina antirrábica licenciada nos EUA na instalação registrada. O órgão confirma ainda que os custos desses procedimentos são de responsabilidade do tutor.
Um detalhe importante para quem planeja a viagem é que a instalação de Seattle-Tacoma aceita reservas apenas para cães transportados como carga, não sendo uma opção para animais que viajam na cabine ou como bagagem despachada.
Essas informações foram conferidas diretamente nas páginas oficiais do CDC em outubro de 2026.





