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Revista Brazilian Times # 85
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Freira nigeriana evita nova detenção pelo ICE, mas continua sob risco de deportação nos EUA

A freira católica nigeriana Leticia Ugboaja, conhecida pela comunidade como Irmã Letty, conseguiu evitar uma nova detenção pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), mas continua enfrentando um processo de deportação que poderá resultar em sua remoção do país.

A freira católica nigeriana Leticia Ugboaja, conhecida pela comunidade como Irmã Letty, conseguiu evitar uma nova detenção pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), mas continua enfrentando um processo de deportação que poderá resultar em sua remoção do país.

A religiosa, que foi presa em junho enquanto caminhava para uma igreja em McAllen, no Texas, compareceu nesta terça-feira (29) a uma apresentação obrigatória perante autoridades de imigração na cidade de Harlingen. Após a reunião, os agentes decidiram mantê-la em liberdade, permitindo que continue vivendo na comunidade enquanto seu caso segue em andamento.

Segundo o advogado da freira, Carlos Moctezuma Garcia, a decisão representa um alívio para a defesa. A religiosa não precisará usar tornozeleira eletrônica, mas deverá comparecer novamente às autoridades em 28 de janeiro de 2027. Durante esse período, ela também não poderá deixar os Estados Unidos nem se envolver em qualquer atividade criminosa.

“Estamos muito gratos por ela não ter sido detida novamente. Ela poderá continuar vivendo a vida que sempre dedicou ao serviço da comunidade e da Igreja”, afirmou Garcia após o encontro.

Governo busca deportação para um terceiro país

Apesar da decisão favorável em relação à liberdade da religiosa, o caso continua preocupando sua equipe jurídica. Segundo o advogado, representantes do governo americano informaram que estudam deportar Ugboaja para um terceiro país, e não para sua terra natal, a Nigéria.

A possibilidade preocupa a defesa, que afirma estar preparando novas estratégias legais para impedir a deportação e garantir que a freira permaneça nos Estados Unidos.

De acordo com Garcia, por vários anos Ugboaja recebeu proteção contra a deportação para a Nigéria devido ao risco de sofrer perseguição e possíveis atos de tortura caso retornasse ao país africano.

Comunidade se mobiliza em apoio

Enquanto a reunião ocorria no prédio do Departamento de Segurança Interna (DHS), apoiadores da religiosa permaneceram do lado de fora em oração.

Entre eles estava a irmã Norma Pimentel, diretora executiva da organização Catholic Charities of the Rio Grande Valley, que liderou um momento de oração do terço junto com outros membros da comunidade. O grupo não foi autorizado a acompanhar a reunião.

Menos de quinze minutos depois, Irmã Letty deixou o prédio sorrindo e foi recebida com abraços pelos presentes.

“Estou muito aliviada por ela continuar conosco. Esperamos que as alternativas legais permitam que ela permaneça fazendo parte da nossa comunidade”, afirmou Pimentel.

Prisões de religiosos aumentam preocupação

O caso ocorre em meio ao aumento das ações de fiscalização migratória envolvendo líderes religiosos no sul do Texas.

No último fim de semana, dois pastores assistentes da Comunidad Cristiana Emanuel Church, em Edinburg, também foram presos pelo ICE no aeroporto de McAllen quando embarcariam para uma conferência religiosa na Carolina do Norte.

Os mexicanos Nepthali Zozaya Saucedo, de 36 anos, e Cinthia Sarai Cardona Otero, de 34, foram libertados no dia seguinte. Segundo o Departamento de Segurança Interna, o casal havia permanecido nos Estados Unidos por quatro anos além da validade dos vistos religiosos.

Para líderes religiosos da região, as recentes detenções têm gerado apreensão entre comunidades de fé e organizações humanitárias que prestam assistência a imigrantes.

Embora tenha escapado de uma nova prisão, a Irmã Letty ainda enfrenta uma batalha judicial que poderá definir seu futuro nos Estados Unidos nos próximos meses. A defesa continuará buscando alternativas legais para impedir sua deportação e garantir que ela possa permanecer no país desenvolvendo o trabalho religioso e comunitário que realiza há anos.

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