Publicado em 29/01/2008 as 12:00am

Medo de recessão se espalha além dos EUA

A queda nas bolsas de todo o mundo sugere que os mercados emergentes e os países em desenvolvimento ? que vinham se tornando refúgio dos investidores ? também estão sendo afetados pelo medo de uma recessão americana, segundo artigo publicado pelo jornal a

 A queda nas bolsas de todo o mundo sugere que os mercados emergentes e os países em desenvolvimento ? que vinham se tornando refúgio dos investidores ? também estão sendo afetados pelo medo de uma recessão americana, segundo artigo publicado pelo jornal americano The Wall Street Journal.

"Investidores americanos transferiram bilhões de dólares para o exterior na esperança de que as crescentes economias da Ásia e da América Latina iriam afastar as calamidades nos Estados Unidos e manter o mundo fora de uma recessão. Mas a queda nos mercados estrangeiros está aumentando a preocupação de que nenhum mercado vai ser salvo".

 

 

"Investidores europeus e americanos, tentando preservar seus ganhos, estão repatriando o dinheiro investido nos países em desenvolvimento, ajudando a provocar queda nesses mercados, segundo analistas."

Segundo o WSJ, o mercado americano também está sendo pressionado por negociadores que antes investiam pesado no mercado de ações e agora estão transferindo seus investimentos para dinheiro, títulos do tesouro e ouro, atrás de segurança.

"Céticos vêm advertindo há meses que as ações dos países em desenvolvimento parecem uma bolha esperando para estourar." No ano passado, 48 das 100 melhores ações do índice Russell - que identifica as ações de melhor desempenho em dólar ? eram da Índia, Brasil e China, sendo que 41 delas só da Índia.

"Os mercados nos países em desenvolvimento, que no passado eram destino procurado pelos investidores, ficaram entre os mais afetados. Analistas afirmam que as perdas poderão se estender se os investidores que estavam despejando dinheiro na América Latina, Ásia e Europa Central nos últimos anos se tornem avessos a apostar nas regiões historicamente voláteis."

O jornal afirma também que a queda nas ações também puxou para baixo o preço de commodities.

"O medo de que os mercados emergentes possam não ter força suficiente para manter o mundo livre de uma recessão derrubou uma série de commodities industriais ligadas ao crescimento global. O cobre estava sendo negociado a um valor 5% mais baixo na Bolsa de Metais de Londres, enquanto o barril do petróleo caiu US$ 1,97 para US$ 88,60", afirma o Wall Street Journal.

As negociações nos mercados estrangeiros e de futuros, no entanto, não servem para prever o desempenho do mercado americano, diz o jornal.

"Os mercados estrangeiros, tipicamente, reagem a desenvolvimentos nos Estados Unidos, e não o contrário. Nos 12 meses até Outubro de 2007, as ações nos mercados brasileiros seguiram a a mesma direção que o índice S&P 500 em 90% dos casos, segundo dados do Citigroup. Nas ações indianas, em 70%."

O jornal, no entanto, cita analistas que esperam que os emergentes resistam à crise americana melhor do que no passado, quando a região sofria com crises financeiras e calotes de dívidas. "Países como Brasil, México, e Chile aumentaram suas reservas, reduziram suas dívidas externas e domaram a inflação nos últimos anos, melhorando seu vigor econômico."

Segundo o Wall Street Journal, o mau desempenho dos mercados deverá aumentar a pressão sobre o Fed ? o banco central Americano ? para que corte a taxa de juros no encontro da semana que vem, como forma de contra-atacar o risco de recessão.

Fonte: (Brazilian Times)