Publicado em 16/08/2009 as 12:00am

Dólar baixo vai adiar saída de exportadores da crise, prevê setor

Desde o começo do ano, moeda norte-americana registra queda de 20%. Mesmo com prejuízo, empresas dizem exportar para não perder clientes.


No momento em que alguns setores da economia começam a reagir após prejuízos com a crise financeira internacional, empresas exportadoras afirmam que a queda acentuada do dólar será um empecilho para a recuperação do setor.

Na sexta (14), a moeda norte-americana fechou o dia valendo R$ 1,853. Desde janeiro, a desvalorização foi de 20,5%.

As empresas exportadoras são prejudicadas porque geralmente fecham contratos em dólar. Quando a moeda se desvaloriza frente ao real, as empresas têm menor rentabilidade. 


Dados desta semana corroboram a avaliação. Na última segunda-feira (10), a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) anunciou que o comércio varejista da região metropolitana de São Paulo teve em junho o primeiro aumento de vendas depois de nove quedas consecutivas.

Na quinta-feira (13), dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) projetaram crescimento de 2,5% na produção da indústria paulista em julho na comparação com junho. 

Dias antes, outra pesquisa da FGV havia mostrado que a confiança do consumidor na economia retomou o patamar registrado em setembro passado, quando começou a fase mais aguda da crise. 

Na avaliação do gerente de pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato da Fonseca, mesmo com os sinais de melhora na economia, os exportadores projetam mais queda nas vendas - dados da balança comercial apontam que do começo do ano até o dia 9 de agosto, as exportações brasileiras apresentaram queda de 23,6% em relação ao valor exportado no mesmo período de 2008.

"Tem gente que fala que é o início do fim da crise ou o começo da recuperação. Tem variáveis mostrando uma melhora e tem variáveis ainda não refletindo essa melhora. O próprio empresário está mais otimista em relação ao mercado doméstico, mas ele está pessimista em relação ao mercado externo, segundo a nossa pesquisa. A maioria ainda espera que vai cair mais as exportações", afirma.

Segundo Fonseca, isso acontece porque, num momento em que é importante ser competitivo para vender para o exterior, o câmbio afeta a rentabilidade.

"Nesse momento de crise é mais importante ser competitivo porque você vai ter mais gente oferecendo e menos demandando. O cara que demanda vai começar a olhar o preço e vai escolher o mais barato. Durante a crise, a reclamação do câmbio é ainda maior", afirma Renato da Fonseca, da CNI.

Para o economista, a solução a médio e longo prazo é o governo aumentar investimentos em logística e atuar para a desoneração tributária.

"[A queda do dólar para os exportadores] é pior em um momento de saída da crise. Vai sair com todos os pontos negativos: câmbio, sistema tributário e gargalo na logística."

Fonte: (G1)