Publicado em 8/03/2010 as 12:00am

Retaliação aos EUA não vai gerar desabastecimento, diz governo

Secretária admite que os importados do país ficarão mais caros. Itamaraty afirma, porém, que preços não ficarão proibitivos.


A secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Lytha Spíndola, disse nesta segunda-feira (8) que a retaliação autorizada pela Organização Mundialo de Comércio (OMC) aos Estados Unidos não vai gerar desabastecimento no mercado brasileiro.

Nesta segunda-feira, o governo divulgou a lista de produtos que terão o imposto de importação elevado como forma de retaliar os EUA. A relação inclui itens como cremes, xampus, perfumes, óculos de sol, carros, paracetamol, trigo, frutas, motocicletas e barcos a motor, entre outros. O imposto de importação ficará mais alto por um ano. A decisão só começa a valer daqui a um mês e somará US$ 591 milhões, um pouco acima dos US$ 560 milhões divulgados inicialmente.

Preços mais altos

Lytha Spíndola admitiu, porém, que esses produtos importados dos EUA ficarão mais caros com o aumento do imposto. "O consumidor vai poder continuar comprando apesar de um aumento de preços. Mas se o imposto for muito elevado, chega a um ponto que bloqueia o comércio", afirmou ela.

O diretor do Departamento de Economia do Ministério das Relações Exteriores, Carlos Márcio Cozendey, ressaltou que as tarifas estabelecidas, na maior parte dos casos, não são "proibitivas".

"Buscamos evitar [colocar na lista] insumos e produtos intermediários. A maior parte dos produtos são bens de consumo final. Buscamos evitar retaliar em produtos que a indústria nacional não tenha condições de produzir e abastecer e nos quais não existam fornecedores alternativos para evitar desabastecimento interno", disse a secretária Lytha Spíndola a jornalistas.

Cozendey, por sua vez, afirmou que o Palácio do Itamaraty tem recebido "indicações" de que os Estados Unidos estariam dispostos a negociar, mas acrescentou que, até o momento, ainda não foi feita uma proposta concreta. O objetivo do governo brasileiro, disse ele, é que os EUA retirem os subsídios ao algodão.

Fonte: (G1)