Publicado em 29/06/2011 as 12:00am

Pão de Açúcar engorda R$ 2,1 bilhões em um dia na Bolsa

Valor de mercado da rede de supermercados subiu a R$ 18,9 bilhões, após proposta de fusão com Carrefour

O Pão de Açúcar engordou R$ 2,128 bilhões em valor de mercado em apenas um dia. Esse foi o resultado do anúncio de que o Carrefour recebeu uma proposta para fundir suas operações com o grupo de Abílio Diniz, em uma operação liderada pelo BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Na operação, o Pão e Açúcar e o Carrefour vão compartilhar o controle do maior grupo de varejo do Brasil, o terceiro maior em vendas de alimentos do mundo, com faturamento estimado para R$ 70 bilhões para 2011.

O Pão de Açúcar valia R$ 16,836 bilhões na segunda-feira, resultado de 258,8 mil ações que custavam R$ 65,03. Mas, com a reviravolta de ontem, a rede de supermercados passou a valer R$ 18,964 bilhões, com ações que dispararam nada menos que 12,64% e fecharam cotadas em R$ 73,05.

Segundo analistas, a fusão é positiva, pois trará largos ganhos de escala, gerando uma companhia com capital original estimado, pelo próprio Pão de Açúcar, em R$ 4,6 bilhões. "Acreditamos que a oferta gera valor a todos os envolvidos, especialmente ao criar o maior varejista brasleiro com possibilidade de geração de sinergias operacionais decorrentes de melhor negociação com fornecedores, ganhos de escala e logísticos, além de melhor precificação em diversos segmentos de operação em função de maior nível de informações", diz a Fator Corretora em nota. O fato relevante divulgado pelo Pão de Açúcar ao mercado cita um estudo da FGV apontando sinergias de R$ 8,4 bilhões.

Mas a Fator lembra que a operação deverá contar com a anuência do acionista francês Casino. "Lembramos que, de acordo com termo acordado em mai/05, o Grupo Casino poderá exercer direito de aumento na participação da Holding Wilkes em 2012, e portanto, nomear o Presidente do Conselho de Administração da empresa, cargo atualmente ocupado pelo Sr. Abílio Diniz", diz a corretora na nota.

Para a Fator, as ações devem ser negociadas acima do Índice Ibovespa no curto prazo, em função da possibilidade de uma solução negociada entre Carrefour, Casino e Pão de Açúcar, com geração de valor a todos os envolvidos. "Acreditamos que operacionalmente as ações de Pão de Açúcar encontram-se descontadas e uma solução negociada para a situação deverá determinar maior atenção à avaliação dos fluxos da companhia em detrimento da evolução de questões societárias que estariam resolvidas."

Outro benefício do negócio, citado por analistas, é a criação de uma empresa apenas com ações ordinárias em Bolsa. Por darem direito de voto, essas ações normalmente valem mais que as PN.

O anúncio também fez subirem as ações do Carrefour em Paris, mas derrubou a cotação do sócio de Diniz no Pão de Açúcar, o também francês Casino. As ações do Groupe Casino registraram forte queda na bolsa de Paris. Os papéis da varejista fecharam em baixa de 5,61%, a 62,20 euros, enquanto o índice CAC, o principal da França, subiu 1,46%. O Carrefour subiu 2,84%, cotado em 27,20 euros. No ano, as ações caem 11,83%. Casino recua 14,74%, e o CAC sobe 1,24%.

Desde que surgiram os primeiro boatos envolvendo as conversações entre o Carrefour e Abilo Diniz, as ações do Casino estão em queda. No dia 20 de maio, pouco antes dos primeiros rumores, os papéis do Casino estavam cotados a 74,65 euros. Desde então, as cotações acumulam uma desvalorização de quase 17%.

Fonte: ultimosegundo.com.br