Publicado em 30/07/2011 as 12:00am

Pessoa física deixa Bovespa e tem menor participação desde 2008

A média de participação das pessoas físicas nos investimentos feitos na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) neste ano até julho, de 22,2%, foi a menor desde 2008, ante 26,5% em 2010 e 30,8% em 2009. Para analistas do mercado de renda variável, os rece

A média de participação das pessoas físicas nos investimentos feitos na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) neste ano até julho, de 22,2%, foi a menor desde 2008, ante 26,5% em 2010 e 30,8% em 2009. Para analistas do mercado de renda variável, os recentes acontecimentos no cenário econômico nacional e internacional estão tornando mais atraentes os investimentos conservadores.

No ano, a média de participação das pessoas físicas também foi menor que a de investidores institucionais (33,9%) e estrangeiros (33,4%). Os investidores ainda incluem empresas (1,8%), instituições financeiras (8,5%) e outros (0,1%).

Eduardo Jurcevic, superintendente de investimentos da corretora do Santander, descarta as repetidas elevações da taxa básica de juros (Selic), o que pode levar o investidor a mirar em investimentos que tentam acompanhar o rendimento da Selic, como principal fator deste movimento de fuga da bolsa. "O investidor tradicional não está saindo da bolsa, e sim colocando dinheiro a uma velocidade menor por causa da oscilação do mercado, principalmente", afirma. "Após uma alta forte em 2009, em 2010 e 2011 a bolsa está oscilando entre patamares que não trazem apetite ao investidor".

O principal índice de ações brasileiro, o Ibovespa, caiu no dia 18 de julho à menor pontuação desde maio de 2010, registrando 59.837 pontos, enquanto que, antes da crise de maio de 2008, o índice chegou a alcançar 73.628 pontos. A pontuação aumenta na medida em que sobe o valor das ações listadas na bolsa.

A diretora da Octo Investimentos Mônica Saccarelli considera normal o movimento. "O investidor pessoa física é o que responde mais rápido às mudanças", afirma. Com as crises de dívida europeia e americana preocupando a estabilidade econômica, o mercado está difícil para operar, segundo ela, o que empurra as pessoas para investimentos menos arriscados.

Entre eles, estão os de renda fixa, por causa da alta da taxa básica de juros (Selic). Com o aumento da taxa, os rendimentos da renda fixa pós-fixados - nos quais o montante investido rende a variação dos juros no período de validade do contrato - têm um desempenho melhor que o de ações, já que essas aplicações tentam acompanhar o mesmo rendimento da Selic ou de indicadores econômicos, como o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

São considerados títulos de investimento de renda fixa Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letras de Câmbio, Letras Hipotecárias, Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e títulos públicos, como Letras do Tesouro Nacional (LTN), Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e Notas do Tesouro Nacional (NTN). Esses últimos são emitidos pela Fazenda, por meio do Tesouro, e vendidos no mercado por no mínimo R$ 100 em troca de recursos com o objetivo de financiar a dívida, a educação, a saúde e a infraestrutura brasileiras.

Mesmo com o mercado de renda fixa oferecendo rendimentos melhores, Mônica, da Octo, diz que o segmento de renda variável ainda recebe novos investidores, na contramão do movimento de "migração" atual. Essas pessoas físicas, de acordo com ela, projetam investimento de médio a longo prazo, mantendo o dinheiro aplicado por mais tempo na bolsa, ao invés de acreditarem que ganharão dinheiro rápido com a oscilação da Bovespa.

Com a consolidação da atividade econômica e o aumento dos salários e do poder de compra da população, o superintendente do Santander acredita que os investidores tendem a voltar sua atenção à Bovespa. "Assim, pensando a médio e longo prazo, não tem sentido não aumentar o ingresso de investidores na bolsa de valores", diz.

Fonte: terra.com.br

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