Publicado em 24/10/2011 as 12:00am

Boom econômico deu reeleição a Cristina Kirchner, dizem analistas

Nove anos seguidos de altas taxas de crescimento econômico (2003-2011), a criação de 3,5 milhões de postos de trabalho (com carteira assinada) e a queda nos índices de pobreza, estão entre as principais razões que explicam a reeleição da presidente Cristi

Nove anos seguidos de altas taxas de crescimento econômico (2003-2011), a criação de 3,5 milhões de postos de trabalho (com carteira assinada) e a queda nos índices de pobreza, estão entre as principais razões que explicam a reeleição da presidente Cristina Kirchner para mais quatro anos de mandato, segundo políticos e analistas ouvidos pela "BBC Brasil".

Cristina obteve uma vitória folgada ainda no primeiro turno, com mais de 53% dos votos, a maior vitória eleitoral desde 1983, anos da redemocratização no país, quando Raúl Alfonsín obteve 51% dos votos.

Outras razões apontadas por analistas para o sucesso eleitoral de Kirchner são o pagamento de aposentadorias estatais para os que não contribuíam com a Previdência Social e políticas que incentivaram o consumo.

País de cerca de 40 milhões de habitantes, a Argentina viveu uma crise política e econômica inédita em 2001-2002. O então presidente Nestor Kirchner, marido da presidente, assumiu em 2003 coincidindo, segundo opositores, com o aumento das exportações, principalmente, de soja à China, gerando maiores recursos para o caixa do país.

"A vida de muitos argentinos melhorou e este foi o ponto decisivo para a reeleição da presidente", disse o economista Ernesto Kritz, especializado em questões sociais e trabalhistas.

"Em 2002, o índice de pobreza era de 50% e agora é de 20%", afirmou o sociólogo Artemio López, da consultoria Equis.

Pobreza e consumo

As principais iniciativas do governo foram dirigidas à redução da pobreza e ao aumento do consumo, como a introdução de um beneficio de 270 pesos por cada filho entregue às famílias de baixa renda - a partir da presença na escola e da vacinação da criança -, o acesso ao crédito para trabalhadores sem carteira assinada e a distribuição de aposentadorias para o setor informal que não contribuiu com a previdência social. Esta medida foi implementada a partir da polêmica estatização dos fundos de pensão e de aposentadoria em 2008.

Para o deputado opositor Adrián Pérez, da Coalición Cívica (CC), os eleitores deram "prioridade" a questões como o poder de consumo consumo e não "aos questionamentos sobre corrupção e falta de respeito às instituições". De acordo com projeções locais, a partir de dados oficiais, a venda de automóveis subiu 47%, neste primeiro mandato da presidente (2007-2011). A venda de eletrodomésticos, entre outros bens de consumo, também disparou neste período.

"Mas são todos itens de consumo de curto prazo. A Argentina, historicamente, teve dificuldades de gerar créditos para a casa própria. E agora mais ainda" afirmou o ex-presidente do Banco Central, o deputado opositor Alfonso Prat-Gay (CC).

Kritz observou que o aumento salarial acima da inflação foi outro denominador que contribuiu para a votação na presidente.

"Os salários subiram acima da inflação", afirmou. Estima-se que, em média, o salário real de um argentino seja de US$ 1,2 mil (cerca de R$ 2,1 mil) e há quatro anos este salário era de US$ 698 (cerca de R$ 1,2 mil).

Ele observou, porém, que o setor informal da economia é o que tem percebido os maiores efeitos da inflação.

"Desde 2007, existe um setor da sociedade que não consegue sair da pobreza. Este setor, de cerca de 20% da população, é o que sofre com a alta de preços", afirmou Kritz.

O governo estima que a inflação seja de 10% anual e especialistas estimam, a partir dos dados oficiais das províncias, que ela esteja em torno dos 25% por ano.

No início do ano, uma garrafa de refrigerante, de 1,5 litro, custava 3,50 pesos (R$ 1,47). Na semana passada, no mesmo supermercado, custava 8,50 pesos (R$ 3,58) - mais que o dobro. O mesmo ocorreu com uma série de outros produtos.

Fonte: UOL.COM.BR