Publicado em 1/07/2012 as 12:00am

Aos 18 anos,real deu credibilidade à moeda brasileira,mas crise preocupa

Ao completar 18 anos, o Plano Real conseguiu cumprir com o seu principal objetivo: recuperar a credibilidade da moeda brasileira. Porém, na opinião de especialistas, a crise atual exige cuidados e atenção do governo.

Ao completar 18 anos, o Plano Real conseguiu cumprir com o seu principal objetivo: recuperar a credibilidade da moeda brasileira. Porém, na opinião de especialistas, a crise atual exige cuidados e atenção do governo.

"Para a nova geração talvez não seja fácil perceber, mas, com o Plano Real, finalmente o Brasil tornou-se um país normal, em que as pessoas não têm que se preocupar mais com o valor do salário no final do mês", afirma o professor de Economia da PUC-SP Antônio Carlos Alves dos Santos. "[O Real] era uma plano de estabilização econômica, e essa função ele já cumpriu. Hoje, é uma moeda madura."

Porém, no início da implementação, o Plano Real sofreu com ataques políticos e desconfiança por parte de economistas.

"O Plano [Real] surge dentro de um contexto de embate eleitoral. Foi muito mal visto pelos economistas do PT, mas bem visto pelos economistas do PSDB. Mas mesmo dentro do PSDB de São Paulo existiam alguns economistas que não apostavam no seu sucesso", diz Santos.

A desconfiança não era apenas política. Antes do início do Plano Real, as cédulas de R$ 100 foram fabricadas em grande número, já que havia receio de a inflação afetar o valor da moeda. O estoque foi tão grande que as cédulas fabricadas em 1994 duraram até 2007, segundo o Banco Central (BC).

Desafio atual é a "guerra cambial"

Nos últimos anos, a chamada "guerra cambial" surgiu com o aprofundamento da crise internacional, que teve como símbolo a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, em setembro de 2008.

O governo brasileiro tomou diversos medidas nos últimos anos para diminuir essa "invasão" de dólares. A principal delas foi a queda da taxa básica de juros, a Selic, que passou de 45%, em março de 1999, para os atuais 8,5%. Incentivos para a indústria nacional e o consumo interno também têm sido intensificadas nos últimos meses.

Porém, um saldo negativo dessa política é o aumento da inadimplência, que já começa a preocupar o governo. O nível de calote atingiu 6% em maio, recorde da série histórica do BC, que começou em junho de 2000.

"A situação [do Plano Real] ainda é relativamente confortável. Existem algumas deteriorações conjunturais: ainda temos uma dependência forte do comércio exterior, por exemplo. Enquanto a economia mundial estiver em crise, a economia brasileira também sofre um pouco. Esse cenário preocupa, já que podemos crescer menos", afirma Gilberto Braga, professor de economia do Ibmec.

Real enfrentou fortes diversas crises até 2002

O Plano Real enfrentou três grandes crises mundiais em quatro anos, que afastaram os investidores estrangeiros do país. Foram elas: a crise do México (1995), a crise Asiática (1997) e a crise da Rússia (1998).

"As crises obrigaram o governo a realizar mudanças na política cambial, que passou a ser flutuante. Tínhamos uma necessidade de dólares. Hoje, temos uma reserva muito confortável e não temos mais esse tipo de problema de reservas. Isso dá munição para o país contra ataques especulativos de recursos estrangeiros", diz Braga.

A última grande luta para a estabilidade da moeda foi em 2002, por conta da eleição do ex-presidente Lula, que até elaborou um documento destinado aos empresários prometendo continuar com a política econômica do país.

Novo "velho" desafio

Passada a desconfiança inicial, o novo desafio é seguir com a diminuição da pobreza e diminuir a desigualdade social, segundo o professor da PUC-SP Antônio Carlos Alves dos Santos.

"Se formos pensar no Plano Real, ele é um plano de retomada e crescimento econômico, com distribuição de renda. Não é suficiente crescer sem garantir acesso ao crescimento econômico para todos. E é esse o objetivo que deve continuar sendo perseguido", diz.

Fonte: uol.com.br