Publicado em 11/08/2012 as 12:00am

Investidores buscam refúgio contra alta da inflação

Ativos à prova de inflação estão cada vez mais em voga entre investidores no Brasil, num sinal de que o mercado tem dúvidas sobre a capacidade de o Banco Central manter preços sob controle, ao mesmo tempo em que tenta reanimar a atividade econômica.

Ativos à prova de inflação estão cada vez mais em voga entre investidores no Brasil, num sinal de que o mercado tem dúvidas sobre a capacidade de o Banco Central manter preços sob controle, ao mesmo tempo em que tenta reanimar a atividade econômica.

A procura por bônus indexados à inflação está em alta, enquanto ações de empresas cujas receitas são reajustadas por índices de preços, tais como Sabesp (SBSP3.SA) ou a BRMalls (BRML3.SA), atingem suas máximas históricas.

A inflação ao consumidor é tradicionalmente mais alta nos últimos quatro meses do ano no Brasil, quando o fim das colheitas de grãos eleva os preços dos alimentos e a atividade econômica normalmente ganha velocidade.

Neste ano, no entanto, outros fatores contribuem para uma inflação maior. Entre eles estão a recente alta nos preços das commodities e a campanha de redução de juros do BC, que levou a taxa básica de juros (Selic) à sua mínima histórica no mês passado.

Uma série de medidas de estímulo econômico anunciadas pela presidente Dilma Rousseff desde o início do ano também deve finalmente dar resultado nos próximos meses, estimulando ainda mais o consumo doméstico.

"A inflação definitivamente não vai continuar caindo", afirmou Claudio Irigoyen, estrategista de renda fixa para a América Latina do Bank of America Merrill Lynch. "Achamos que isso se tornará um problema mais adiante para o banco central seguir cortando os juros, porque a atividade será melhor no segundo semestre do ano."

O Merrill Lynch recomenda atualmente aos investidores a compra de bônus do governo atrelados ao medidor oficial de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O Tesouro ofertou esses títulos, conhecidos como NTN-B, pela última vez em leilão no fim de julho. Todos os lotes foram vendidos com taxas mais baixas do que as negociadas em leilões anteriores, o que indica maior apetite dos investidores pelos papéis.

A demanda pelos títulos aumentou ainda mais depois que o IPCA registrou em julho sua maior variação mensal desde abril.

Além disso, a inflação acumulada em 12 meses medida pelo índice subiu para 5,2% até julho, após os 4,92% registrados em junho, distanciando-se do centro da meta do governo para o ano, que é 4,5%. Foi a primeira vez desde outubro que isso aconteceu.

Embora Tombini tenha afirmado que a inflação deve continuar a convergir para o centro da meta nos próximos meses, muitos analistas estão revisando suas estimativas para o IPCA deste ano para mais de 5%.

O Merrill Lynch prevê que o IPCA atinja uma taxa anualizada de 6% neste mês, enquanto o JP Morgan revisou para cima sua estimativa para o IPCA em 2012 para 5,2%.

Risco para ações

Um repique na inflação traz riscos claros ao mercado acionário. Ele poderia forçar o banco central a apertar a política monetária, o que tornaria as ações menos atraentes.

Mas, desta vez, as autoridades monetárias parecem mais preocupadas com as previsões de que a economia poderia crescer apenas 1,5% no ano. A grande maioria dos economistas acredita que os juros cairão ainda mais nos próximos meses --mesmo se a inflação continuar a subir.

A combinação de queda nos juros e inflação em alta tem sido extremamente positiva para algumas ações. Papéis da Sabesp e da BRMalls atingiram cotações máximas nesta semana, e suas perspectivas continuam favoráveis, segundo analistas.

"A inflação com tendência moderada de alta tende a beneficiar ações de companhias que operam sob concessão, como nos segmentos rodoviário e enérgico, já que as tarifas são indexadas por IPCA ou IGP-M", afirmou Henrique Florentino, analista da UM Investimentos em São Paulo.

O índice do setor de concessionárias na Bovespa ganhou cerca de 20% no acumulado deste ano, superando em muito o Ibovespa, que avançou menos de 4% em 2012.

Fonte: uol.com.br

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