Publicado em 10/11/2013 as 12:00am

Mundo Econômico - 10 de novembro

Mundo Econômico - 10 de novembro


A Bolsa de valores brasileira fechou a semana passada em baixa. Motivado por surpresas positivas nos Estados Unidos e negativas aqui, o Ibovespa, o principal índice da Bolsa, fechou a 52.248 pontos, acumulando perda de 3,27% na semana.

A alta do dólar permitiu bom desempenho das exportadoras, mas a disparada dos juros futuros afetou as ações de empresas que sofrem influência do crédito mais caro, como construtoras e bancos.

Lá fora, as Bolsas americanas fecharam a semana em alta. O Dow Jones teve uma nova alta recorde e subiu 1,08%, enquanto a Nasdaq e o S&P 500 tiveram valorização de 1,60% e 1,37%, respectivamente.

Esse otimismo foi gerado pela divulgação de dados bastante positivos sobre a maior economia do mundo. Primeiro, apesar de o cidadão americano ainda se mostrar um pouco duvidoso sobre a economia de seu país, os EUA cresceram 2,8% no 3º trimestre, superando as expectativas do mercado.

Além disso, a adição de 204 mil postos de trabalho em outubro ofuscou o aumento na taxa de desemprego, que ficou em 7,3%. Um maior número de contratações passa uma boa mensagem ao mercado, pois indica que as empresas têm perspectivas de vendas mais fortes nos próximos meses.

E, como não é novidade neste ano, os bons números da economia americana trouxeram de volta a discussão sobre a redução dos estímulos promovidos pelo Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Um cenário melhor torna possível que as compras de títulos sejam cortadas mais cedo e alguns investidores já apostam que isso vai acontecer em dezembro. Em resposta a essa possibilidade, o dólar subiu 2,70% na semana, a R$ 2,318.

Aqui no Brasil, a semana foi marcada pela divulgação de indicadores da inflação. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,57% em outubro, sendo esse aumento atribuído, principalmente, a alimentos e bebidas, cujos preços tiveram alta de 1,03%. No ano, a inflação medida pelo IPCA avançou 4,38% e, em 12 meses, acumulou alta de 5,84%.

Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, trata-se de uma inflação "normal" para este período do ano, marcado pela entressafra, que costuma tornar os alimentos mais caros.

Ainda, o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), referência para o reajuste de contratos (como os de aluguel), subiu 0,30% na prévia de novembro, mostrando uma desaceleração considerável após o 0,85% registrado em outubro.

Ao redor do globo, o cenário econômico se mostrou misto. Na Europa, a semana foi marcada pela redução inesperada das taxas de juros ao menor nível da história. O Banco Central Europeu cortou a taxa básica de 0,5% para 0,25% e indicou que está disposto a usar todas as armas possíveis para recuperar a economia. Essa surpresa foi induzida, em parte, pela ameaça da deflação em decorrência da fraca atividade econômica.

A Standard & Poor's, importante agência de avaliação de risco, rebaixou a nota de crédito da França, alegando que as atuais medidas do governo não são capazes de combater os obstáculos ao crescimento econômico. Com isso, Bolsas europeias fecharam a semana no vermelho.

Já do outro lado do mundo, as notícias são melhores. A China divulgou, nesta semana, um superávit comercial de US$ 31,6 bilhões, com destaque para o bom desempenho das exportações. Além disso, o setor de serviços do gigante asiático trouxe indicadores acima das expectativas.

No geral, tem-se uma situação bastante estável para a tomada de decisões na reunião do plenário do Partido Comunista, que acontece neste fim de semana em Pequim. Investidores esperam que os líderes chineses discutam reformas na economia, na tentativa de balancear o crescimento do país entre investimento e consumo interno.

Na próxima semana, as atenções devem se voltar para os dados de inflação, emprego e varejo que devem sair no Reino Unido, além do crescimento trimestral do Japão. Aqui no Brasil, investidores ficarão de olho nos números de vendas no varejo.

Artigo em Parceria com João Lídio Bezerra Bisneto e Vinícius Pacheco, ambos da consultoria júnior em economia (CJE) da FGV, em nome da área de pesquisa da empresa.

Fonte: www.uol.com