Publicado em 29/01/2014 as 12:00am

BC dos EUA anuncia novo corte em seu programa de estímulos

BC dos EUA anuncia novo corte em seu programa de estímulos

O Federal Reserve, banco central norte-americano, decidiu nesta quarta-feira (29) realizar mais um corte em seu programa de estímulos. A autoridade monetária anunciou que reduzirá as compras mensais de títulos dos atuais US$ 75 bilhões para US$ 65 bilhões, e manteve o plano de remover o estímulo extraordinário apesar da recente turbulência em mercados emergentes. O BC dos EUA justificou a nova redução citando "a crescente força subjacente da economia como um todo" e informando que observa uma "progressiva melhoria" no mercado de trabalho. O anúncio do Fed era aguardado com expectativa pelos mercados diante do momento de turbulência e desvalorização de moedas nos mercados emergentes, incluindo o Brasil. O programa de compras mensais de bônus do Tesouro e títulos hipotecários, que servem para injetar dinheiro nos Estados Unidos, começou a ser reduzido em janeiro, quando as compras mensais passaram de US$ 85 bilhões para US$ 75 bilhões. Em sua última reunião, o Fed tinha informado que reduziria as compras de ativos "em passos comedidos", diante de melhora do mercado de trabalho e inflação. O chairman do Fed, Ben Bernanke, que passará na sexta-feira o comando do banco central à atual vice-chair, Janet Yellen, encerrou sua última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) sem fazer qualquer mudança na outra grande política da autoridade monetária: o plano de manter os juros baixos por algum tempo. O BC dos EUA manteve a taxa de juro próxima de zero e disse que ela deve permanecer nesse patamar enquanto o desemprego for superior a 6,5%. Turbulência nos países emergentes Em certa medida, as divisas dos países emergentes estão sendo vítimas da flexibilização da política monetária dos Estados Unidos, o que provoca uma fuga de capitais nesses países, agora atraídos pelo rendimento dos títulos norte-americanos. A preocupação econômica já levou países como Turquia e Africa do Sul a elevarem suas taxas de juros. Analistas dizem que a decisão do Fed pode expor fraqueza nas finanças de alguns países em desenvolvimento conforme capitais abandonam o mercado e os custos de financiamento locais sobem. Isso, por sua vez, pode corroer a receita de companhias globais expostas a mercados emergentes. Programa de estímulo nos EUA O programa de compra de ativos do Fed, peça central da política da era de crises, adicionou cerca de US$ 4 trilhões em títulos a seu balanço patrimonial. O processo de retirada do estímulo percorre numerosos riscos, incluindo a possibilidade de juros mais altos do que a meta e perda de confiança dos investidores. Umas das possíveis consequências da diminuição do estímulo econômico é a redução da entrada de dólares em outros países. No cenário anterior, com o aumento da quantidade de dólares em circulação e os títulos americanos pagando tão pouco, parte dos recursos injetados na economia americana acabou sendo investida em países emergentes, em papéis de maior risco e rentabilidade.

Fonte: (g1)