Publicado em 11/11/2015 as 12:00am

Começa a faltar combustível no interior de Minas

Paralisação dos caminhoneiros interrompe trânsito em rodovias, e em postos de pelo menos 10 cidades de Minas os estoques estão zerados.

O protesto de caminhoneiros que pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) começou a afetar o abastecimento de postos de combustíveis no interior de Minas. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no estado, o Minaspetro, em pelo menos 10 municípios houve registro de falta de gasolina e álcool nas bombas. Entre os municípios afetados estão Governador Valadares, Divinópolis, Lavras e João Monlevade. Em algumas cidades, o litro dos combustíveis ultrapassou os R$ 5. Ao comentar o movimento, nessa terça-feira (10), a presidente afirmou que obstruir rodovias é crime. “Obstruir, afetar a economia popular é crime. Manifestar é algo absolutamente legal, faz parte da democracia”, declarou Dilma.

No segundo dia de paralisações, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou bloqueios parciais em 36 trechos de 20 rodovias federais em nove estados: Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins. Em Minas, onde ocorreram manifestações em cinco pontos (veja mapa), o tráfego ficou congestionado durante toda a tarde na BR-381, próximo a João Monlevade e em Igarapé, de acordo com a PRF. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou que a PRF aplique multas e, caso necessário, use a força para desobstruir rodovias bloqueadas. O governo decidiu aumentar as multas e sanções aos caminhoneiros que impedirem o trânsito. A penalidade, hoje, em R$ 1.915 passa para R$ 5.746 por caminhoneiro e de R$ 19.154 para os líderes do movimento. A mudança será feita por meio de medida provisória que estabelece ainda a proibição por 10 anos de o grevista receber incentivo de crédito para adquitir veículo.

“Evidentemente, no caso de interdição de estradas, nós já determinamos à PRF que atue através do efetivo necessário para que possamos desobstruir estradas e possamos garantir que aqueles caminhoneiros que queiram trabalhar tenham sua liberdade de ir e vir assegurada”, disse o ministro. O movimento foi convocado pelo Comando Nacional de Transporte (CNT) e é formado por caminhoneiros autônomos que se declaram independentes de sindicatos. Além de pedir o impedimento da presidente, eles reivindicam o aumento do valor do frete e reclamam da alta de impostos nos últimos meses.

Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), filiada à CUT, os caminhoneiros estão sendo usados em prol de interesses políticos. O líder do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), Nelio Botelho, disse na segunda-feira que a força do primeiro dia de greve superou as expectativas da organização. Afirmou, no entanto, que a entidade não vai participar de eventuais protestos, assim como não atuou na paralisação do primeiro semestre.

 

REFLEXO

No Vale do Jequitinhonha, a paralisação dos caminhoneiros, somada à greve dos petroleiros, trouxe como consequência o aumento do preço e a falta de combustível. Em um dos três postos de Santo Antônio do Jacinto, o preço da gasolina chegou a R$ 5,48 nessa terça-feira. Em Joaíma e Rubim faltou gasolina em alguns postos e outros estão com estoque baixos.

Danilo de Souza, dono de uma mercearia em Santo Antônio do Jacinto, disse que a alta dos preços dos combustíveis, em decorrência das paralisações se reflete nos alimentos de primeira necessidade, como arroz, açúcar, feijão e óleo de soja. “O valor do frete subiu muito e, com isso, os mantimentos tiveram aumento de mais de 20% nos últimos dias”, afirmou Souza. “Ficou muito complicado para a gente pagar gasolina a um preço desse”, reclamou a comerciante Eliane Jarim, sócia de uma loja de móveis.

Dono de um posto da cidade, Leonardo Tavares informou que estava cobrando R$ 4,40 pelo litro. “Meu preço era R$ 3,99. Apenas repassei o aumento do distribuidor e do frete para o consumidor. Fiz um sacrifício em respeito ao consumidor.” Segundo ele, a cidade era abastecida por uma distribuidora de Itabuna, Bahia, a 380km. Com a greve dos petroleiros, a empresa ficou sem os combustíveis e os donos de postos foram obrigados a buscar os produtos em Jequié, também na Bahia, a mais de 500km. distância. “Só tenho gasolina para mais dois dias. Depois, não sei como vai ficar”, disse.

Fonte: uai.com.br