Publicado em 18/12/2015 as 12:00am

Apesar da crise, brasileiros continuam no topo de ranking de turistas em Miami

Atrás do Brasil vêm os turistas do Canadá (521 mil), Colômbia (402 mil) e Argentina (338 mil)

Apesar da recessão, o número de turistas brasileiros em Miami cresceu nos nove primeiros meses de 2015, mantendo o grupo no topo do ranking de visitantes estrangeiros na cidade.

Segundo o Bureau de Convenções e Visitantes da Grande Miami, 582 mil brasileiros visitaram a cidade na Flórida entre janeiro e setembro de 2015, alta de 3% em relação ao mesmo período de 2014.

Atrás do Brasil vêm os turistas do Canadá (521 mil), Colômbia (402 mil) e Argentina (338 mil). Dentre os dez primeiros colocados do ranking, só a Venezuela, sétima da lista, enviou menos turistas a Miami em relação aos três primeiros trimestres do ano passado.

O crescimento nas chegadas de brasileiros foi comemorado na cidade, onde se temiam efeitos da desvalorização do real e da crise econômica no fluxo de visitantes.

"Mesmo com todas as dificuldades, vemos que os brasileiros estão se adaptando ao novo cenário e encontrando formas de continuar viajando", disse à BBC Brasil Rolando Aedo, chefe de marketing e vice-presidente do Bureau de Convenções e Visitantes da Grande Miami.

Para ele, o comportamento reflete "o caso de amor que existe entre o Brasil e Miami".

Aedo afirma, porém, que o fluxo de turistas brasileiros parece ter se estabilizado após um longo período de intenso crescimento.

Em 2014, o total de visitantes brasileiros caiu 3% em relação ao ano anterior, resultado que ele atribui à Copa do Mundo. "Foi um ano atípico, porque muitos ficaram no Brasil para assistir aos jogos."

 

Mudanças de hábitos

Os brasileiros continuam viajando a Miami, mas encurtaram as visitas e já não se comportam como antigamente, diz Aedo. Segundo ele, comerciantes da cidade relatam que neste ano as vendas ao público caíram até 40%.

Ele diz que, em vez de ir às compras, muitos podem estar optando por programas mais baratos ou gratuitos, como visitar museus e praias da cidade.

Presidente de uma associação de hotéis de Miami, Wendy Kallergis afirma que não é possível saber se brasileiros têm optado por se hospedar em hotéis mais econômicos.

Segundo Kallergis, os brasileiros que visitam a cidade se hospedam em hotéis de todos os tipos, dos mais luxuosos aos mais baratos.

Ela afirma que, na metade do ano, os hotéis detectaram uma diminuição na procura por brasileiros, mas que o fluxo parece ter se recomposto nos últimos meses.

"A vinda de brasileiros é tão robusta que, mesmo quando há uma pequena oscilação, sentimos intensamente o efeito", afirma.

O setor imobiliário de Miami é outro a sofrer os efeitos da crise no Brasil. Corretores que costumavam vender dois ou três apartamentos para brasileiros por semana agora dizem passar meses sem fechar qualquer negócio.

Empresário do setor de beleza radicado em Miami, o brasileiro Renato Mendonça diz que a desvalorização do real reduziu drasticamente o número de brasileiros que investem em imóveis na cidade.

Ele afirma que os novos hábitos de consumo dos turistas brasileiros mudaram a paisagem de shoppings e outlets de Miami.

"Antes você via alguém cheio de sacolas e não precisava nem perguntar para saber que era brasileiro. Agora é capaz de ter de andar um tempo até encontrar algum."

Fonte: uol.com.br