Publicado em 21/01/2016 as 12:00am

Brasil dispara na liderança dos maiores juros reais do mundo

Analistas avaliaram que depois de declarações na direção de mais aperto monetário, o BC cedeu a pressões e buscava com a carta uma forma de justificar manutenção ou uma alta menor da taxa

O Copom anunciou hoje a manutenção em 14,25% da taxa de juros básica da economia, a Selic. É a quarta vez que a taxa fica inalterada.

A decisão se tornou uma das mais aguardados dos últimos tempos por causa da carta divulgada ontem de manhã pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em um gesto bastante incomum na véspera de uma decisão.

Tombini disse que as novas previsões do FMI (Fundo Monetário Internacional) de recessão de 3,5% em 2016 e crescimento zero em 2017 eram “significativas” e que todas as informações disponíveis até a data seriam levadas em conta pelo Copom.

Analistas avaliaram que depois de declarações na direção de mais aperto monetário, o BC cedeu a pressões e buscava com a carta uma forma de justificar manutenção ou uma alta menor da taxa (que acabou se concretizando).

A taxa de juros reais do Brasil, que desconta dos juros nominais a inflação dos últimos 12 meses, está agora em 14,25%. É de longe a maior entre os 40 países que formam um ranking formulado pela Infinity Asset Manegement e o site MoneYou.

Em seguida vem Rússia (2,78%), China (2,61%), Indonésia (2,29%) e Filipinas (1,27%). Em último estão Dinamarca (-2,02%), Argentina (-8,87%) e Venezuela (-58,59%). A média geral é de -1,8%.

A posição do Brasil foi determinada não apenas pelos juros altos mas também pela divulgação da inflação em 2015, que segundo o IBGE ficou em 10,67%, maior taxa desde 2002.

Fonte: http://exame.abril.com.br/