Publicado em 23/01/2015 as 12:00am

Dia de MLK faz brasileiros refletirem sobre o racismo

Nesta segunda-feira foi celebrado, em todos os EUA, o dia de Martin Luther King Jr, um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis negros nos Estados Unidos.

Nesta segunda-feira foi celebrado, em todos os EUA, o dia de Martin Luther King Jr, um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis negros nos Estados Unidos.

Datas como esta são necessárias para refletirmos a ação e resultado das atividades de pessoas que lutam pela igualdade, bem como analisar como progredimos ao longo das décadas.

Para entender o motivo deste feriado devemos recapitular quem foi este homem que mudou o cenário racial nos EUA, com repercussão no mundo todo.

Assassinado em abril de 1968, Martin Luther King Jr teve seu Dia oficializado em 1983, este dia é celebrado nos EUA na terceira segunda-feira do mês de janeiro, pois é uma data próxima ao aniversário do líder que conduziu a campanha de igualdade racial, não violência e amor ao próximo.

Em 1964 ele recebeu Prêmio Nobel da Paz pelo o combate à desigualdade racial através da não violência, foi responsável por organizar e liderar marchas a fim de conseguir o direito ao voto, o fim da segregação, o fim das discriminações no trabalho e outros direitos civis básicos. A maior parte destes direitos foi, mais tarde, agregada à lei estadunidense com a aprovação da Lei de Direitos Civis (1964), e da Lei de Direitos Eleitorais (1965).

Pouco mais de cinquenta anos se passaram desde a data da Lei Dos Direitos Civis e muitas pessoas mudaram suas concepções, porém outras parecem ter o racismo enraizado, não só contra negros, mas contra qualquer tipo de raça.

A cantora Jackie Ribas, residente em NYC, comenta: “Sim eu acho que existe preconceito. Alguns deles escondidos num falso sorriso. Ou ‘eu não sou racista meu primo é casado com uma negra’. Esses tipos comentários para mim são racistas porque você não fala ‘meu primo é casado com uma branca’. É tipo tentando se justificar entende. Nunca fui vítima de racismo daqueles na cara. Mas, certos tipos de brincadeira quando eu era criança em relação ao meu cabelo e coisa assim, magoavam. Sou de uma família que vem da mistura meu pai black mamãe White, então já dentro da família aprendemos que todos somos um. Mas é fato que ainda nos dias de hoje o negro tem que se esforçar mais que um branco pela mesma oportunidade. Vê-se o caso das cotas no Brasil. O que aconteceu no Brasil é que o negro foi escravizado e quando libertado foi esquecido. Nao houveram medidas para reparar os anos de escravidão”.

Para muitos o assunto ainda é muito complexo. “Racismo é algo muito complicado de falar a respeito, pois vem do ego humano. Se for listar o que vejo durante a semana daria algumas páginas. Infelizmente o racismo jamais vai acabar, mas podemos diminui através da conscientização de igualdade”, reflete o entrepreneur de NYC, Sandro Silvio.

Na opinião da professora de ESL, Andrea Veleda Causley, brasileira que vive em Baton Rouge, Louisiana, um grande passo já foi dado. “Eu acho que ele (MLK) deu um enorme passo a favor da humanidade, mas também acho que precisamos de mais líderes trabalhando de forma pacificadora para eliminarmos esse preconceito, na minha opinião estamos caminhando na direção certa. A primeira e única vez que sofri racismo eu tinha 14 anos de idade e me apaixonei por um menino no meu bairro e a mãe dele não permitiu que namorássemos na época porque ela achava que eu era ‘escurinha’ para ele. Fiquei muito triste e pela primeira vez prestei atenção e percebi que temos cores”.

Lana Okeefe, profissional de extensão de cabelos em Newak-NJ, vai mais fundo e diz que racismo é doença a qual não se tem um remédio para curar. “Data de reflexão para que os direitos fossem iguais. A maioria dos brancos, (não digo todos porque muitos que conheço não são racistas), deveriam mudar o jeito de olhar e de tratar os negros. O racismo para mim é pior que o câncer, que a Aids que o Ebola, este último estão loucos procurando a cura. Mas racismo, que é a doença mais antiga, ainda continua muito forte dentro da maioria de brancos. Os racistas deveriam se limparem dessa imundice, dessa sarna, dessa lepra, e de tudo mais que fede que se chama racismo”

Para Paola Trotto, que vive em NYC e trabalha em escritório de advocacia, o racismo está em diversas partes e situações, não só entre negros e brancos. Ela comenta que MLK fez muita coisa pra mudar uma situação precária dos negros nesse País, porém ainda há muito a se fazer. “Eu (branca) e meu namorado (preto) – tem gente que até aponta pra gente na rua! Isso eu noto que esta melhorando, mas ainda tem muita gente que não aceita. Especialmente as pessoas de cidades pequenas, do interior dos Estados Unidos. Outro lado desta situação vem das mulheres negras que parecem ficar com muita raiva, como se eu estivesse roubando os homens delas”.

Outro detalhe que Paola nota é a questão de ser imigrante. “Tenho muitos exemplos de racismo e que presencio constantemente. Em um restaurante na Times Square – onde vão muitos turistas, aconteceu várias vezes do garçom escrever bem grande TIP NOT INCLUDED. Isso porque eu estava lá falando Português com uma amiga. Turistas parecem que têm fama de não dar gorjeta boa, especialmente brasileiro, mas eu fico ofendida!! Quando entro em algumas lojas em Manhattan – eu abro a boca pra pedir algo para o vendedor (em Inglês perfeito) e ele imediatamente começa a falar comigo em Espanhol… Moro aqui há 16 anos e sou cidadã americana, falo Inglês fluentemente, e também Português e Italiano. Espanhol por que??”, se pergunta indignada.

A psicóloga Juliana Silva, de 32 anos, comenta a realidade que vive. "Como mulher, negra, imigrante, eu tenho em minha bagagem de vida muita experiência de preconceito. Porém, não deixo as crenças negativas dos outros me limitar! Já estudei muito, e continuo estudando, pois como M.L. King disse, ‘a educação é essencial para desenvolver um bom caráter’, e esse é o caminho para a igualdade. Hoje vemos preconceitos contra homossexuais, mulçumanos, contra gordos, contra isso ou aquilo... O Dia de M.L.K deveria ser expandido para todo o planeta como "O Dia do Ser Humano Tal como ele é”!

Fonte: Da Redação do Brazilian Times | Reportagem de Marisa Abel