Publicado em 5/08/2008 as 12:00am

GMB abre série sobre imigração com brasileiros na Bélgica

O Grupo Mulher Brasileira inicia sexta-feira, dia 15 de agosto, a exibição de uma série de documentários sobre a imigração brasileira

 

O Grupo Mulher Brasileira inicia sexta-feira, dia 15 de agosto, a exibição de uma série de documentários sobre a imigração brasileira, com o intuito de abrir uma discussão ampla sobre o assunto, principalmente em decorrência do Encontro das Comunidades Brasileiras no Exterior e do rigor das leis de imigração na Europa e nos Estados Unidos.

A série, parte da Sessão Popcorn, será aberta com “Brasileiros como Eu” (2008), da diretora Susana Rossberg, que estará presente e participará de um debate após a exibição. O documentário, de uma hora e meia e parcialmente financiado pelo Ministério da Cultura da Comunidade Francesa de Bruxelas, será mostrado no auditório Seton, do Hospital Santa Elizabeth (736 Cambridge St., Brighton), gratuitamente. O Grupo Mulher Brasileira planeja exibir também “Mundo Nikkei”, de Yuri Sanada, e outros documentários que circularam durante o encontro do Rio de Janeiro, em julho último.

            “Brasileiros como Eu”, define Susana, “é um encontro com uma comunidade brasileira crescente, em grande parte ilegal, e que se manifesta pela sua energia, sua vivacidade, sua diversidade com o objetivo de trabalhar por uma maior aceitação dos estrangeiros em terra de asilo”. Para a professora Clemence Jouët-Pastré, professora de Línguas Românticas e Literatura em Harvard, o documentário é simplesmente apaixonante” porque trata o tema da imigração com “sensibilidade e sutileza. A beleza cinematográfica e os depoimentos contundentes levam o espectador a experimentar intensas emoções e a refletir sobre a natureza dos fluxos migratórios das mais variadas naturezas”. Para Clemence, o “filme nos convida a pensar na diáspora brasileira de uma maneira bem mais ampla”, além de abordar temas “espinhosos”, como o racismo, ´ de modo corajoso, mas sempre sensível e elegante”. A professora, que viu o filme no Rio, durante o encontro promovido pelo Ministério das Relações Exteriores, acha que o trabalho de Susana chama a atenção de quem está interessado em deslocamentos populacionais. Ela propõe duas perguntas: “As feridas causadas pelo desenraizamento tornar-se-ão cicatrizes menores? Seriam indeléveis os traumas que costumam afetar toda a família”?

Diretora

            Susana Rossberg é paulista e saiu do Brasil em 1967. “Só voltei a

em 1985, após o fim da ditadura”.  Formou-se e trabalhou na  Bélgica como

editora de filmes, e morou em Boston e Cambridge entre 1993 e 2004, quando fêz mestrado sobre Estudos Brasileiros e tarbalhos voluntários para a MAPS de Allston e Cambridge. “De vez em quando voltava para Bruxelas para editar um filme”.  Ela confessa que teve a idéia de filmar a comunidade brasileira de Massachusetts e que conversou com o Grupo Mulher “mas não tínhamos meios para realizar” o projeto.

             Em 2004, Susana fixou-se definitivamente em Bruxelas, onde percebeu mais e mais brasileiros.  “Comove-me muito o fato dos brasileiros terem de sair do Brasil para poderem viver de maneira correta.  A situação social no Brasil, os salários baixos demais, as escola públicas de qualidade insuficiente, a falta de planos de saúde para todos, a violência decorrente de todos esses problemas motivam essa imigração.  Pensei que poderia fazer alguma coisa pelos meus conterrâneos, falar deles, ajudar de alguma maneira para que eles, e os imigrantes em geral, sejam bem aceitos pelos países que os hospedam”.

A Sessão Popcorn é uma promoção mensal do Grupo Mulher Brasileira. Além dos excelentes filmes mostrados, tem pipoca de graça e guaraná a $1. Acesse o site do Grupo  www.verdeamarelo.org para ler a íntegra da crítica do filme da professora Clemence e ouvir uma entrevista em francês de Susana Rossberg sobre o “making” do film. Mais informações pelo telefone 617-787-0557 ramal 15.

Fonte: (Da redação)