Publicado em 17/08/2008 as 12:00am

CINEMA E IMIGRAÇÃO

Entrevistados especiais: a diretora Ana Jobim contou sobre o lançamento de seu filme "A Casa de Tom" e o ator Rodrigo Santoro explicou como ele criou o papel de um imigrante em busca do American Dream

A 6º Edição do Cine Fest Petrobras-New York, ocorrida na segunda semana de Agosto, fez mais do que promover a comercialização de filmes e documentários brasileiros, o que já seria razão suficiente para se comemorar os bons resultados, mas cabe ressaltar que, nesse ano o Festival também expandiu a sua capacidade de reunir roteiristas, diretores, produtores e atores que acentuaram o poder da experiência internacional e demonstraram o poder desse rico intercâmbio de profissionais que conheceram, estudaram ou que já trabalharam nos Estados Unidos.

Desta vez, a reportagem sobre a cobertura especial do evento foi sendo direcionada para as pessoas que estavam por de trás dos bastidores e que, em comum, revelaram ter uma relação muito estreita com o tema cinema e imigração. Abaixo, uma frase inédita do cantor e compositor Tom Jobim abrirá a sequência de entrevistas. A declaração faz parte do documentário “A casa do Tom”, exibido no cinema Tribeca, em NY, na primeira seção do Cine Fest Petrobras.

 

“New York pra mim é repouso. É para pensar e trabalhar, é o lugar pra se fazer o dever de casa. O Rio de Janeiro, é muito lindo...é muito dissipante”, Tom Jobim

 

O filme, “A casa do Tom”, ainda sem data marcada para chegar as bilheterias brasileiras, narra com humor os pensamentos de Tom Jobim acerca de política, dinheiro, espiritualidade e até mesmo imigração. O filme foi dirigido por sua esposa Ana Jobim e mesmo sendo parte de recordações póstumas, a produção superou qualquer sinal de melancolia para se tornar uma coletânea, bem editada, de um perfil emocionante do mestre da bossa nova.

 

Ana Jobim

Os bilhetes para assistir “A casa de Tom” se esgotaram rapidamente e Ana Jobim sentou-se numa poltrona localizada nas primeiras fileiras da sala Tribeca Cinema. Durante a exibição ela trocou olhares confidentes e alguns discretos sorrisos com a pesquisadora Júlia de Abreu.

No final da exibição, ela falou ao BT, como foi o trabalho de coordenação de imagens, “As fotografias e filmagens foram sendo constituídas paralelas a construção de sua nova casa, o que deu origem ao poema Chapadão, que nunca foi visto antes pelo público e terminou virando uma biografia”, disse Ana Jobim. A seleção do material foi feita vinte anos depois, “foi como abrir o baú e retirar todo o material de dentro. Júlia e eu separamos as fotos e os videotapes por temas, tivemos que iniciar o tratamento de algumas fotografias e fitas que já estavam bastante danificadas pelo tempo”, disse.

Dos dois lados da audiência, estadunidenses e brasileiros riram muito com as colocações de Tom Jobim sobre o encontro dele com Frank Sinatra, “Em Poço Fundo, procuraram Frank Sinatra até debaixo da minha cama”, disse Tom Jobim, em vídeo. Muitos risos também sobre os seus primeiros anos vivendo em New York, dos quais ele teria passado comendo batata frita, porque conforme o seu depoimento, “antes dos imigrantes japoneses, arroz era uma raridade nos EUA”.

Tom Jobim ainda brincava que, os novos imigrantes têm sorte, pois não haviam esses produtos e facilidades que disponíveis na atualidade. “O poema Chapadão transformou-se num fio condutor para o roteiro do filme a A Casa do Tom, nele Tom expressa a maneira como ele via o mundo e se comportava”, contou Ana Jobim.  

Rodrigo Santoro -

Uma verdadeira parade de apresentadores de TV e fotógrafos foi formada em torno de Rodrigo Santoro nos bastidores do Cine Fest Petrobras. O acesso ao ator era quase impossível, mas mesmo assim, escondendo-se do agressivo assédio dos repórteres, ele concedeu uma entrevista exclusiva para a equipe de reportagem do jornal Brazilian Times.  

Depois de seguir a carreira internacional interpretando papéis como na série Lost ou nos filmes “Charlie's Angel 2” e “300”, ambas produções de Hollywood, Rodrigo Santoro tornou-se o ator mais popular e cobiçado do Brasil. Mas toda a fama não interferiu na maneira amigável e bem disposta dele lidar com as dezenas de pessoas que estiveram na área restrita do Cine Fest Petrobras.

No filme “O desafinados”, do diretor Walter Lima Junior, Santoro interpretou o imigrante Joaquim, que veio em busca do sonho americano, nesse contexto, ele comentou a respeito de seu personagem, “Eu aprendi que o imigrante, como no caso do Joaquim, constrói uma idéia sobre o que eles escutam e vêem na televisão e acham que tudo aquilo é uma aventura, então, ele mergulha nessa utopia de que vai conquistar o mundo. Um bom exemplo disso é New York...New York é uma pessoa!”, Santoro explica, “A cidade é tão cheia de sonhos e de juízo de valores que ela chega a ter vida própria e ser entendida não como um lugar, mas como uma fantasia ativa, quase como um ser humano. Essa foi a maior lição que tive com Joaquim”, disse.

Ainda tendo Joaquim como exemplo, Santoro disse, “Naquela época as pessoas não tinham tantos meios para informar-se das dificuldades e riscos que eles assumem ao trabalhar fora do país. Acho que o Joaquim mostra esse exemplo do imigrante desgarrado em terra estrangeira. Descobrir-se em outra cultura, conhecer lugares e pessoas diferentes é um desafio grande para qualquer um” ponderou. 

Fonte: (Brazilian Times)