Publicado em 14/06/2012 as 12:00am

Bial, Fátima, Leifert? Por que há cada vez mais jornalistas no comando do entretenimento?

No mesmo dia em que Fátima Bernardes recebeu a imprensa para falar sobre o programa que vai comandar, batizado com o seu nome, a Globo anunciou que Tiago Leifert será o apresentador de "The Voice Brasil", reality show destinado a revelar talentos musicais

No mesmo dia em que Fátima Bernardes recebeu a imprensa para falar sobre o programa que vai comandar, batizado com o seu nome, a Globo anunciou que Tiago Leifert será o apresentador de "The Voice Brasil", reality show destinado a revelar talentos musicais.

Eis um movimento que parece irreversível, o da transformação de jornalistas da televisão em comandantes de programas de entretenimento. Por mais que pareça natural, não é.

Um dos aspectos mais sensíveis desta mudança diz respeito à proibição, na Globo, de jornalista ser garoto-propaganda ou fazer merchandising. Por este motivo, noticiou a "Folha", Fátima está trocando de "patrão" dentro da emissora, deixando a Central Globo de Jornalismo para integrar a Central Globo de Produção.

A proibição de jornalista fazer publicidade é comum em diversas empresas. O garoto-propaganda é um ator, que fala bem de produtos que eventualmente nem conhece, usa ou gosta. Vendo um jornalista anunciar as qualidades de um produto de beleza, por exemplo, ou de um carro, o espectador pode ser levado a acreditar nele como se estivesse ouvindo a leitura de uma notícia.

Outro aspecto notável nesta mudança, que Boninho percebeu ao levar Pedro Bial para o "BBB", e que agora repete com Leifert no "The Voice", é a possibilidade lustrar uma bobagem do naipe de um reality show com o prestígio do jornalista. E também de usufruir do desembaraço de um profissional do mundo da notícia em situações que exigem jogo de cintura e improviso.

Vale notar, ainda, que as fronteiras entre jornalismo e entretenimento estão cada vez mais borradas, e não apenas na televisão. Espanta cada vez menos ver um jornalista de renome mudar de rumo desta forma. No caso de Leifert, alguém poderá dizer que nem é uma mundança já que o seu "Globo Esporte" é quase um reality show.

Um movimento que ainda falta, ao menos na Globo, é o da migração inversa. Por exemplo, Luciano Huck apresentar o "Jornal Nacional" ou Xuxa ser repórter do "Esporte Espetacular". Pode ser legal.

Fonte: uol.com.br