Publicado em 7/08/2012 as 12:00am

Diretor diz que filme baseado em Roberto Carlos não tem pieguice

O diretor Breno Silveira, que ficou conhecido ao levar para as telas a emocionante história da dupla Zezé Di Camargo & Luciano em "Dois Filhos de Francisco", lança nesta sexta-feira (10) "À Beira do Caminho", roadmovie baseado no universo das canções de R

O diretor Breno Silveira, que ficou conhecido ao levar para as telas a emocionante história da dupla Zezé Di Camargo & Luciano em "Dois Filhos de Francisco", lança nesta sexta-feira (10) "À Beira do Caminho", roadmovie baseado no universo das canções de Roberto Carlos. Assim como no filme da dupla sertaneja, no novo trabalho, as emoções dos personagens estão à flor da pele – mas "sem pieguice", pondera o diretor.

"Beira" conta a história de João (João Miguel), um caminhoneiro que parece estar se escondendo da própria vida enquanto anda pelas estradas do país. Seu destino muda quando ele encontra Duda (Vinicius Nascimento), um menino que perdeu a mãe. O diretor define a história como a de "um homem que está reaprendendo a amar" e diz que sempre teve uma queda pela emoção nos filmes: "Sempre gostei de me emocionar no cinema e, quando falo em emoção, não é só você chorar, porque você ri bastante em 'Beira'. É isso que eu acho bonito, essa mistura de emoções. A emoção é poderosa com o grande público, principalmente porque não vê muito classe social e idade", diz.

Longe de ser fã de filmes como "Batman" e "Homem-Aranha" – ele conta que deve ter visto apenas um de cada –, Silveira revela que não tem medo de ser criticado pela emotividade de seus trabalhos porque busca a "emoção sincera" de seus personagens, "sem pieguice". "Lógico que a gente é criticado por isso, como fui no 'Dois Filhos', como vou ser no 'Beira'. Mas acho que a gente tem uma preocupação que é diferente quando a gente fala de emoção. A gente não está aqui para fazer pieguice: a emoção deles é sincera, e isso é um respeito que você tem pelo público. Isso é a diferença dos meus filmes. Quando a emoção é sincera, você não está traindo o espectador, não está puxando o zoom e fazendo o ator se descabelar e aumentando a música", explica.

Além das músicas de Roberto, parte do roteiro foi inspirado na experiência do diretor quando ele se apaixonou por uma mulher mais velha, aos 17 anos, e foi rejeitado. Depois de sofrer muito, seu pai entregou a ele uma fita com dez músicas do cantor, e disse: "Para você entender que todo mundo sofre". A partir daí, o diretor começou a ouvir sempre o artista, e parte da história foi parar no filme.

Mesmo com o roteiro inspirado no trabalho de Roberto Carlos, Breno filmou todo o longa antes de pedir a autorização de uso das músicas: "A gente estava tão empolgado que cometeu essa loucura", justifica. Mesmo com essa dúvida, o diretor sempre teve a esperança de que o Rei iria deixar que eles usassem algumas canções. "Ficava pensando, 'Quem nunca sofreu ao escutar Roberto? Quem nunca se apaixonou escutando Roberto? Não é possível que isso não toque a alma dele", explica.

Ao entregar o filme a Roberto, Breno conta que ficou um pouco mais tranquilo, pois o Rei disse que havia gostado de "Dois Filhos". O diretor soube que o cantor gostou do longa, mas espera que ele veja o filme novamente – agora, com as músicas "Distância", "O Portão", "Amigo" e "Outra Vez". Na trilha sonora, há ainda versões para "Nossa Canção" e "Esqueça", feitas por Vanessa da Mata e Nina Becker.

"À Beira do Caminho" surgiu quando o diretor fazia "Gonzaga, de Pai para Filho", que será lançado em outubro. Breno ficou tão empolgado com a história que acabou diminuindo o ritmo da produção do longa sobre Luiz Gonzaga, que estava fazendo há sete anos. "Beira" foi rodado em 2010 e teve seu lançamento atrasado por conta da morte da mulher do diretor, Renata, após as filmagens.

Breno dedicou "Beira" a ela: "O filme é uma homenagem a meu grande amor, a Renata. De alguma forma, me senti um pouco como o João, um cara reaprendendo a amar, alguém que teve uma grande perda... O filme espelhava um pouco do que eu estava sentindo. Daí a dificuldade de eu voltar a editá-lo. Quando voltei a editar, comecei a entender nele uma grande homenagem a tudo o que eu tinha vivido com ela", conta.

Fonte: uol.com.br